Comissão do Trabalho discute greves na Saúde e Educação

A paralisação nacional dos setores de Educação e Saúde públicos federais, que reivindicam respeito aos aposentados, r...

11/12/2001 - 17:57
 

Comissão do Trabalho discute greves na Saúde e Educação

A paralisação nacional dos setores de Educação e Saúde públicos federais, que reivindicam respeito aos aposentados, reposição salarial e realização de concurso público, foi discutida em audiência pública, nesta quarta-feira (10/10/2001), na Comissão do Trabalho, da Previdência e da Ação Social. As razões da greve na saúde, que já dura 64 dias, segundo o deputado Rogério Correia (PT), um dos autores do requerimento, advém de situações insustentáveis vividas pelo funcionalismo. Ele falou sobre a insatisfação dos servidores que estão há sete anos sem reajuste salarial. "Por mais que o governo insista em dizer que conseguiu abaixar os índices de inflação, acumulada em sete anos, a inflação é muito alta", indignou-se.

Rogério Correia atribui as razões da greve à crise mundial do neoliberalismo, que gera desigualdades e provoca reações populares. "O Governo Federal ataca o serviço público a favor do setor privado", afirmou. O deputado Doutor Viana (PMDB), também autor do requerimento, disse que a situação em que os servidores públicos estão retrata a falta de respeito do Governo Federal. O outro autor do requerimento é o vice-presidente da comissão, deputado Bené Guedes (PDT).

SALÁRIOS, CONCURSO E PLANO DE CARREIRA

"O governo de Fernando Henrique Cardoso privilegia a burguesia nacional e internacional e segue a cartilha do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial", disse a representante da Diretoria Colegiada do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e da Previdência de Minas Gerais (Sintsprev/MG), Francisca Ferreira Souza. Ela falou dos problemas enfrentados pelo funcionalismo e de suas principais reivindicações, que além do reajuste e da realização de concurso público, inclui a elaboração de plano de cargos e carreira. Francisca Ferreira disse ainda que acha vergonhosa a proposta do governo em reajustar os salários em apenas 3,17%.

A vice-presidente das Organizações Filiadas da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), Maria Machado, disse que, "embora a situação prejudique aposentados e assegurados, a categoria apóia o movimento em respeito à dignidade do servidor". Ela disse que anseia a volta dos trabalhadores à suas funções, mas satisfeitos; e teme que a greve sirva de argumento para o Governo Federal afirmar que o sistema não funciona e querer privatizá-lo.

EDUCAÇÃO EM PAUTA

Minas Gerais é o Estado brasileiro com maior número de Instituições Federais de Ensino, segundo a 1ª vice-presidente da Secretaria Regional Leste do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Ângela Ferreira. Das 53 Instituições, 11 estão em Minas e todas elas estão acompanhando a paralisação nacional há 49 dias. O setor fez balanço positivo dos protestos da última semana, que contaram com mais de 50 mil manifestantes e apoio de parlamentares de oposição e da base governista, de acordo com a sindicalista. Ela criticou a suspensão de salário dos grevistas da Educação pelo ministro Paulo Renato. "O ministro suspendeu nossos salários e acabou fortalecendo a greve, pois isso indignou também deputados e senadores", afirmou. Após dizer que o governo está elitizando o acesso ao ensino público superior, e que está utilizando o dinheiro da saúde e da educação para efetuar pagamentos de juros da dívida externa, Ângela Ferreira condenou as atitudes do ministro. "Paulo Renato disse que se for preciso vai contratar uma empresa para realização dos vestibulares. Não seria melhor investir esse dinheiro na educação e na saúde?", indagou.

Os prejuízos sociais causados por causa da paralisação estão sendo reconhecidos pelos grevistas, segundo a presidente da Federação Nacional dos Sindicatos de Saúde, Trabalho e Previdência Social (Fenasps), Cleuza Maria Faustina. Ela disse que, apesar disso, os funcionários precisam resgatar sua dignidade lutando contra o descaso do Governo com a Saúde e Educação. "Um órgão como a Previdência, que atende atualmente a 20 milhões de aposentadorias, não deve ser tratado desta maneira". A presidente da Fenasps revelou que a maior parte dos funcionários da saúde são terceirizados.

A audiência seguiu com fase de debates, quando os participantes puderam responder às perguntas do público.

Presenças- Além dos citados acima, participaram da audiência os deputados Dalmo Ribeiro Silva (PPB), presidente da Comissão; Luiz Menezes (PPS) e João Leite (PSB).

 

Responsável pela informação: Assessoria de Comunicação - 31 - 3290 7715