Greve de servidores do IMA tem avanço nas negociações

Houve avanço nas negociações entre os servidores do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e as secretarias de Estad...

05/10/2001 - 08:52

 


Greve de servidores do IMA tem avanço nas negociações

 

Houve avanço nas negociações entre os servidores do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e as secretarias de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e de Recursos Humanos e Administração, na reunião da Comissão do Trabalho, Previdência e Ação Social, realizada nesta quarta-feira (3/10/2001). Os trabalhadores do IMA paralisaram suas atividades em 11 de setembro, reivindicando 38% de reajuste salarial, plano de carreira, pagamento de adicional aos técnicos que realizam atividades insalubres, e melhoria das condições de trabalho. Representantes do Poder Executivo admitiram a necessidade de atendimento às reivindicações dos trabalhadores, respeitadas as limitações do Estado. Os servidores devem retomar as atividades nos próximos dias.

A presidente da Associação dos Servidores do IMA (Assima), Míriam Alvarenga, procedeu a leitura de uma carta contendo as reivindicações dos servidores e apresentou um breve histórico das funções do Instituto. Segundo ela, os trabalhadores estão há muitos anos sem reajuste e não podiam mais esperar por uma solução, optando pela greve. Míriam lembrou que, a permanecer a situação, técnicos do IMA tendem a abandonar o Instituto, causando um desperdício financeiro ao Estado referente às despesas com treinamento desses profissionais.

O diretor Sebastião Soares, da União Nacional dos Servidores Públicos (Unsp), salientou que a greve não é só por melhoria dos salários, mas representa um brado de alerta à situação do IMA, para que se discuta a política do Estado em relação ao sistema agropecuário. Para Sebastião, os servidores demonstraram disposição ao diálogo, tendo tratado a questão com maturidade e até modificado as propostas em função das dificuldades técnicas do Governo. "Chega a ser aviltante o que os servidores do IMA recebem. É preciso ressaltar a importância desses trabalhadores e respeitá-los", concluiu.

O diretor-geral do IMA, Célio Gomes Floriani, disse que o diálogo é o melhor caminho para a resolução da questão. Ele reconheceu a forma ordeira com que foram feitas as reivindicações, dizendo-se grato aos servidores. Floriani também apresentou dados relativos à administração do Instituto. "Em 1998, o IMA precisou de R$ 3,3 milhões para o custeio de suas despesas. A partir de 1999, o Instituto passou a caminhar com as próprias pernas, equilibrando despesa e receita, e investindo em equipamentos.

Secretarias reconhecem justiça das reivindicações

O secretário adjunto Hélio Machado, da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, reconheceu que o trabalho dos servidores é essencial e disse que o secretário Raul Belém apoiou as reivindicações. Porém, segundo ele, os 38% de aumento vão além das possibilidades do Estado. Machado disse que a agropecuária é responsável por cerca de 40% do PIB de Minas Gerais.

A superintendente de Cargos, Carreiras e Vencimentos, Maria Cristina Lages Henriques, da Secretaria de Estado de Recursos Humanos e Administração, informou que está procedendo a análise técnica e legal da proposta de plano de carreira dos servidores, prometendo entregar o resultado até o final da próxima semana. O assessor de Relações Trabalhistas Eduardo Souza Batista, da mesma Secretaria, disse que o Governo está empenhado para solucionar o problema, mas que não tem, ainda, uma posição definitiva sobre o atendimento às reivindicações. De acordo com Souza, assim que forem concluídos os estudos dos aspectos técnicos e legais da proposta, será marcada uma reunião com a direção da Assima.

O deputado Dalmo Ribeiro Silva (sem partido) considerou que o Estado está sendo duramente penalizado com a greve dos servidores do IMA. "Os prejuízos decorrentes da greve são muitos. A paralisação da defesa sanitária está deixando o Estado vulnerável em relação às doenças e à contaminação, por pragas, da produção", comentou. O deputado Bené Guedes (PDT) disse que a greve, apesar de justa, não é boa para ninguém. Segundo ele, é preciso sensibilizar o Governo em relação à necessidade de reajuste salarial para os trabalhadores, por uma questão de proporcionalidade e justiça. Para o deputado Luiz Menezes (PPS), o salário dos servidores do Instituto é irrisório, e que o diálogo é o melhor caminho para mudar a situação.

Presenças

Participaram da reunião os deputados Dalmo Ribeiro Silva (sem partido), presidente da Comissão, Bené Guedes (PDT) e Luiz Menezes (PPS).

 

 

 

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