Delegado reafirma conclusões de inquérito sobre assassinato

A Comissão de Direitos Humanos ouviu, nesta quarta-feira (29/8/2001), o delegado Edson Moreira, que presidiu o inquér...

30/08/2001 - 14:19


Delegado reafirma conclusões de inquérito sobre assassinato

 

A Comissão de Direitos Humanos ouviu, nesta quarta-feira (29/8/2001), o delegado Edson Moreira, que presidiu o inquérito sobre o assassinato de Fátima Aparecida de Abreu, esposa do jornalista José Cleves da Silva, ocorrido no dia 10 de dezembro do ano passado. O delegado falou sobre as possíveis contradições existentes no inquérito, de dois volumes e com mais de 500 páginas, que aponta como responsável pelo crime o jornalista, desmentindo a versão de José Cleves, de que o casal teria sido vítima de dois assaltantes. Segundo o delegado, Fátima Abreu foi vítima de um crime premeditado. Ele afirmou achar estranho o fato de os bandidos terem atingido a mulher do jornalista deixando-o vivo. Edson Moreira disse que, em casos de latrocínio, os marginais não costumam deixar testemunhas e afirmou que os fatos contidos no inquérito representam "a mais pura verdade".

A pedido do deputado João Leite (sem partido), foi exibida uma fita com a reconstituição do crime, feita por um programa de televisão. Segundo ele, os fatos expostos, tanto na fita, quanto no inquérito policial, demonstram claras distorções e contradições. João Leite disse que não está convencido do resultado das investigações, que levaram ao indiciamento de José Cleves. Ele espera que as investigações sejam aprofundadas. O delegado Edson Moreira disse que "há fartura de provas" e que o inquérito é perfeito. Para ele, se houvesse alguma irregularidade o inquérito teria sido questionado pelo Ministério Público. Disse, ainda, estar tranqüilo quanto às informações contidas no documento, todas baseadas em laudos técnicos-periciais e estranhou "o jornalista não ter solicitado um habeas corpus para trancar o inquérito". Segundo ele, isto indica que José Cleves está mentindo e que ele é o real autor do crime.

Presente à reunião, o jornalista acusou o delegado de ter sido negligente na apuração dos fatos, não levando em conta, desde o princípio, a possibilidade de o casal ter sofrido o assalto. Segundo José Cleves, o delegado Edson Moreira baseou o inquérito no depoimento de um militar que estava sendo investigado pelo jornalista para uma matéria sobre a venda ilegal de armas. Este militar afirmou ter vendido a arma do crime, um revólver calibre 38, para Cleves. O jornalista disse, ainda, que houve várias falhas na apuração dos fatos, entre elas a não realização do retrato falado dos bandidos e o não recolhimento das impressões digitais na bolsa da vítima, apesar de no momento Cleves ter solicitado ao peritos que o fizessem. O jornalista discorda, ainda, quanto ao número de disparos. Segundo ele, teriam sido três e não quatro os tiros que mataram sua esposa. O quarto tiro pegou de raspão, causando um ferimento superficial na mão da vítima.

Ao final da reunião, o filho do casal, Cleves Henrique, revoltado, criticou o delegado Edson Moreira por ter sido negligente no inquérito e disse que ele destruiu sua família, "execrando o nome do meu pai no Brasil inteiro".

PRESENÇAS

A comissão aprovou um projeto de lei que declara entidade de utilidade pública e dispensa a apreciação do Plenário. Participara da reunião os deputados Édson Rezende (sem partido), Durval Ângelo (PT), vice-presidente; Marcelo Gonçalves (PDT); Adelmo Carneiro Leão (PT); Rogério Correia (PT); e João Leite (sem partido).

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