Programa de saúde da mulher é tema de debate

Em discurso emocionado, o deputado Luiz Menezes (PPS) deu início à reunião da Comissão de Saúde, nesta quinta-feira (...

22/06/2001 - 09:00


 

Programa de saúde da mulher é tema de debate

Em discurso emocionado, o deputado Luiz Menezes (PPS) deu início à reunião da Comissão de Saúde, nesta quinta-feira (21/6/2001), que debateu o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher em Minas Gerais, defendendo a criação da ouvidoria das mulheres. Autor do requerimento que deu origem à reunião, o deputado disse que "a timidez e a falta de informação das mulheres, principalmente as do interior, são responsáveis por grande parte dos casos de morbimortalidade materna". Luiz Menezes afirmou que morre uma mulher por dia, no Estado, devido à falta de orientação e assistência pré-natal. O deputado declarou, ainda, que fará o que for necessário para mudar esta realidade.

A pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Ana Maria Costa, começou a exposição dizendo que a mortalidade materna está aumentando, e não diminuindo, como diz o Ministério da Saúde. Segundo a pesquisadora, são necessárias, em média, seis consultas pré-natais, sendo que a média em Minas Gerais, em 1998, foi de apenas 2,93 consultas por gestante. Para Ana Maria, as mulheres carentes geram mais filhos e são menos atendidas por médicos, valendo-se de enfermeiras e parteiras, às vezes como único recurso. Ela afirmou, ainda, que é necessária a elaboração de uma política pública de interiorização, uma vez que, dos 197.577 médicos do País, 117.461 estão na Região Sudeste; e que deste número, 58% estão nas capitais. A pesquisadora disse que a taxa de mortalidade do Brasil se iguala às taxas dos países mais pobres da América do Sul. Ana Maria também comentou a questão do aborto: "é um problema de saúde pública. Muitos casos diagnosticados como infecções ou hemorragias, na verdade são frutos de tentativa de interrupção de gravidez indesejada. É necessário um debate público sobre esta questão, pois a clandestinidade só gera mais mortes", completou.

O coordenador da Atenção à Saúde da Mulher da Secretaria de Estado da Saúde, Paulo Tarcísio Pinheiro Silva, falou que é necessário associar a tecnologia à socialização. Segundo Silva, "o parto não pode ser ligado somente ao sentimento de dor, uma vez que se trata de um momento sublime". O coordenador disse que é primordial um planejamento familiar, para orientação das mulheres grávidas, especialmente as mais carentes. Para ele, os homens não devem apenas apoiar as mulheres nesta luta, mas sim, estarem nela envolvidos.

A deputada Elaine Matozinhos (PSB) defendeu a criação de uma política específica para garantir a cidadania da mulher. Segundo ela, é inaceitável a situação de mulheres morrendo sem ter tido sequer um atendimento médico básico. A deputada falou, ainda, sobre a questão do aborto. "Precisamos tirar a máscara e discutir esta questão. É só ir à Maternidade Odete Valadares que se enxerga a realidade da situação. É um choque", afirmou.

O deputado Adelmo Carneiro Leão (PT) disse que é preciso discutir abertamente o aborto, sem preconceito ou demagogia. "O Estado não pode ser partidário de nenhum ordenamento religioso", comentou.

MESA

Compuseram a mesa o consultor da Secretaria de Estado da Saúde, William Nagem; a coordenadora da Rede Saúde de Minas Gerais, Fátima Oliveira; a coordenadora da Rede de Desenvolvimento Humano do Rio de Janeiro, Schuma Schumaher; a pesquisadora do Núcleo de Pesquisas da População da Unicamp, Maria Isabel Balthar; e a representante da Secretaria de Estado da Saúde, Marta Alice Romanini.

PRESENÇAS

Compareceram à reunião os deputados Marco Régis (PPS), que a presidiu, Elaine Matozinhos (PSB), Adelmo Carneiro Leão (PT), Doutor Viana (PMDB), Luiz Menezes (PPS) e Maria José Haueisen (PT).

 

 

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