Dia das Águas é debatido na Comissão de Meio Ambiente

O Dia Mundial das Águas que, este ano teve como tema "Água e Saúde", foi debatido, nesta quinta-feira (22/3/2001), pe...

23/03/2001 - 09:14

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Dia das Águas é debatido na Comissão de Meio Ambiente

O Dia Mundial das Águas que, este ano teve como tema "Água e Saúde", foi debatido, nesta quinta-feira (22/3/2001), pela Comissão de Meio Ambiente e Recursos Naturais e convidados. A deputada Maria José Haueisen (PT), autora do requerimento que motivou a reunião, tratou a água como um "bem finito" que não tem sido devidamente conservado. Segundo a deputada, "se houver a terceira guerra mundial será por causa da água".

O deputado Fábio Avelar (PPS), que por 26 anos trabalhou na Companhia de Saneamento Básico (Copasa-MG), falou da importância de haver uma reflexão sobre o que já foi feito e o que ainda se pode fazer em favor da água. Fábio Avelar elogiou o Projeto Manuelzão, que há quatro anos trata do rio das Velhas. O coordenador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer Lisboa, contou que os participantes do projeto "caíram na água procurando as causas das doenças". Segundo ele, doenças como a Leptoespirose, a Dengue e a Cisticercose poderiam ser evitadas a partir do saneamento básico. Apolo defendeu a criação de leis nas quais as águas atenderiam, primeiramente, às necessidades dos peixes, o que traria bons reflexos para o homem. O coordenador do Projeto Manuelzão ainda chamou a atenção para a importância do fim do desmatamento e de uma reflexão sobre a água como destino da humanidade.

O diretor-geral do Instituto Mineiro de Gestão Ambiental (Igam), Willer Hudson Pós, chamou a atenção para a importância dos Comitês de Bacia, que "elencam prioridades para serem alavancadas pelo Estado". Para ele, deveria haver mais investimentos nessas entidades democráticas. O diretor da Geolurb, Edézio Teixeira de Carvalho, prega uma revolução tecnológica, alegando que a água sobre a Terra é ilimitada, mas é grave o que está acontecendo com ela.

Transposição do São Francisco - A coordenadora do grupo de trabalho que analisa o estudo do impacto ambiental do Projeto de Transposição do rio São Francisco e representante do secretário de Estado do Meio Ambiente, Luciana Felício Pereira, criticou a proposta sobre a revitalização da bacia do São Francisco, na qual os estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Sergipe não são considerados. Segunda ela, quase toda a água produzida em Minas está comprometida com a geração de energia elétrica, e o Estado não pode utilizar a água do rio São Francisco - que estaria "engessado", devido aos estudos relativos ao Projeto de Transposição. "Não estamos contra o Projeto, mas queremos decidir, com todos os estados envolvidos, uma solução para que não falte água para ninguém", posicionou-se Luciana.

Luiz Fernando Soares de Assis, diretor de Qualidade Ambiental Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), falou sobre sua preocupação com a escassez de água e com os problemas de saneamento básico que existem hoje no País, além de ressaltar a necessidade de o Parlamento nacional tomar mais atitudes frente ao problema. Luiz falou ainda que recursos federais não estão sendo repassados aos municípios para saneamento básico. O País, de acordo com o diretor, tem que fazer uma releitura das prioridades, colocando as necessidades básicas dos brasileiros no centro de suas preocupações e deixando de pensar somente no lucro.

PRIVATIZAÇÃO DE FURNAS É DISCUTIDA

A privatização de Furnas foi o tema exposto pelo presidente do Sindfurnas, Ataíde Vilela, que falou da incompetência no gerenciamento dos recursos hídricos e do processo de desregulamentação do setor elétrico adotado na Califórnia, que acabou não dando certo, na opinião dele. Segundo Ataíde, que representa os trabalhadores da hidrelétrica, o modelo que o Brasil está tentando copiar dos Estados Unidos não será viabilizado aqui - um país com "leis menos rígidas".

No debate, que contou com a participação do público, foram expostos temas como o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, que tratou do problema da escassez de água no Brasil e no mundo, entre outros assuntos. As leis estaduais e federais para a educação ambiental também foram alvo de debates, e essa questão, segundo a deputada Maria José Haueisen, requer um trabalho intenso de conscientização, principalmente dos professores. As considerações finais reforçaram as reivindicações pela não-privatização de Furnas e pela manutenção das hidrelétricas sob o controle do Estado.

PRESENÇAS - Participaram da reunião os deputados José Milton (PL), presidente; Fábio Avelar (PPS), vice-presidente; Maria José Haueisen (PT) e Adelmo Carneiro Leão, além do coordenador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer Lisboa; do diretor-geral e do diretor de Recursos Hídricos do Igam, Willer Hudson Pós e Roberto Vasconcelos; do diretor da Geolurb, Edézio Teixeira de Carvalho; do presidente do Sindfurnas, Ataíde Vilela; do prefeito de Conselheiro Lafaiete e presidente do Cibapar, Vicente Faria Paiva; do deputado federal, Eliseu Rezende; de Daniela Bianchi; do diretor de Qualidade Ambiental da Feam, Luiz Fernando Soares da Silva; da coordenadora do grupo de trabalho que analisa o estudo de impacto ambiental e representante do secretário de Estado do Meio Ambiente, Luciana Felício Pereira.

 

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