General Cardoso vê consumismo como causa de violência

"Integração e posterior unificação das polícias; canalização de mais recursos para a segurança pública; melhor orient...

06/07/2000 - 16:33

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General Cardoso vê consumismo como causa de violência

"Integração e posterior unificação das polícias; canalização de mais recursos para a segurança pública; melhor orientação comportamental aos jovens pelas famílias ; participação mais ativa da sociedade nos programas de defesa social e o fortalecimento dos valores humanos na superação do materialismo foram teses defendidas pelos primeiros expositores na abertura da Teleconferência "Segurança Pública - O Papel do Estado e da Sociedade Civil" realizado na Assembléia Legislativa nesta quinta-feira (06/07/00). Na parte da manhã, foram abordados os seguintes temas: o papel do Ministério Público e do Judiciário na segurança pública; unificação, integração e desmilitarização das polícias; a formação do policial cidadão e o orçamento público e os recursos destinados à segurança.

O presidente da Assembléia, deputado Anderson Adauto (PMDB) abriu a teleconferência falando sobre a importância do evento, num momento de constatação do crescimento da violência e da criminalidade que estão trazendo grande preocupação para a sociedade civil organizada de Minas Gerais, e, por extensão, em todo o território brasileiro. Para o deputado, a Teleconferência tem por objetivo mostrar que algo pode e deve ser feito para minorar a questão da violência e da criminalidade, como a unificação das ações das polícias civil e militar; participação da sociedade e a destinação de mais recursos para a segurança pública, além da integração entre o governo federal e os governos estaduais, cada um com sua parcela de contribuição, visando reverter a situação da violência a níveis aceitáveis.

CONSUMISMO EXACERBADO

Para o primeiro expositor, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Mendez Cardoso, "o combate à violência tem que ser pragmático, porque os valores humanos estão perdendo espaço para o materialismo e o consumismo exacerbado veiculados pelos meios de comunicação. E, como conseqüência disso, diante do não atendimento dessas expectativas de consumo imediato, o jovem busca a forma imediata de satisfação de seus desejos através da violência e do crime". O general entende que a recuperação dos valores humanos deve ser feita primordialmente pelas famílias, pelas escolas e nos cultos religiosos.

O general citou, também, o Plano Nacional de Segurança Pública a ser implantado pelo Ministério da Justiça, como reconhecimento pelo governo federal ao clamor da sociedade brasileira diante do crescimento da violência em todos os níveis. O ministro assinalou, também, que o plano prevê a integração das polícias; apoio à infiltração de policiais nos organismos criminosos com autorização judicial; esvaziamento das carceragens com construção de penitenciárias , entre outras ações. "Acredito que a sociedade não deve esperar que o plano dê resultados imediatos. Mas já fica a idéia básica de que o Governo Federal se engaja no combate à criminalidade e à violência apoiando os estados.

A deputada federal Zulaiê Cobra (PSDB-SP)falou sobre a unificação das polícias civil e militar. Ela afirmou que não se pode ter três policias, a federal, civil e militar abandonadas como estão atualmente. E defende uma reforma no sistema de segurança que coloque o policial no mesmo patamar do representante do Poder Judiciário.

Zulaiê disse que é favorável à formação única para policiais civis e militares, em uma academia única e sob um só comando. Outro ponto observado pela deputada é de que a segurança pública nas ruas deve ser feita de forma ostensiva, em sistema de ronda por policiais a pé, " porque policial que anda de carro não vê o povo".

Ao concluir sua exposição, a deputada assinalou que o combate ao crime não é feito apenas com dinheiro, viaturas novas, armas modernas." Nada disso vai adiantar, se o policial não estiver preparado moral e profissionalmente".

O terceiro expositor, o pesquisador de Segurança Pública do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, coronel José Vicente da Silva Filho, afirmou que a violência mais acentuada está nos locais de maiores contrastes, ou seja, onde a riqueza contrasta com a pobreza. Citou como fa-tor de aumento da violência o nível de impunidade que impera, notadamente nas grandes cidades. E que o aumento da violência se deve, também, à impunidade. "Ao jovem infrator não acontece nada, absolutamente nada. E ele volta a delinquir horas depois de ter sido libertado pelas autoridades".

O coronel defendeu a integração das polícias, antes que se processe a unificação; a adoção de uma legislação única para as duas polícias, equiparação salarial e o esforço da sociedade no sentido de orientar melhor a juventude, " porque uma sociedade que não tem planos e programas para seus jovens, é uma sociedade despreocupada com seu futuro".

MESA

Compuseram a Mesa, na primeira parte da Teleconferência, o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Anderson Adauto (PMDB); o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional da presidência da República, general Alberto Mendez Cardoso; deputada federal Zulaiê Cobra (PSDB-SP); o pesquisador de Segurança Pública do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, coronel José Vicente da Silva Filho ; o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro, Wladimir Sérgio Reale; o presidente da Associação dos Delegados de Carreira da Polícia Civil de Minas Gerais, Victor Hugo Moreira de Resende, e o presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, major Domingos Sávio de Mendonça.

Responsável pela informação: Eustáquio Marques - ACS - 31-2907715