Expositores discutem relação custo-benefício da transposição

Os impactos sociais e ambientais da transposição do Rio São Francisco foram debatidos na segunda fase do Ciclo de Deb...

21/06/2000 - 18:59

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Expositores discutem relação custo-benefício da transposição

 Os impactos sociais e ambientais da transposição do Rio São Francisco foram debatidos na segunda fase do Ciclo de Debates, realizado na segunda-feira (19/6/00) à noite. O secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Raimundo Garrido, disse em sua exposição que a transposição do Rio São Francisco é um projeto de integração nacional, que está demandando debates acalorados e até passionais, dada a relevância e o envolvimento do tema. Na sua opinião, o assunto deve ser debatido até a exaustão, para que se chegue a uma avaliação precisa sobre a oportunidade de se fazer a transferência das águas.

Para o expositor, a transposição remete a interesses entre as duas áreas, a importadora das águas e a exportadora, impondo a necessidade de uma agenda que contemple todos os envolvidos no projeto. Garrido mostrou, dentro do aspecto técnico da engenharia, que o projeto deve levar em conta, principalmente, a questão dos custos e da relação custo-benefício, e que a transposição não pode ser considerada apenas como uma obra de engenharia, mas uma massa de serviços.

O cálculo do projeto deve levar em conta o aspecto tronco das obras, somando-se os aspectos captação, elevação, transporte de cursos da água e a construção de canais, obras de derivação primária e secundária e eletromecânicas, até o destino final, que serão os domicílios rurais e urbanos. Também deve considerar os custos operacionais, com a somatória da mão-de-obra direta, indireta, custos de serviços e de transportes. Um terceiro aspecto, que não pode ser desconsiderado, segundo Garrido, é a questão da manutenção preventiva e corretiva. Uma quarta implicação será a mitigação dos impactos físicos, bióticos; e um quinto aspecto, na avaliação do expositor, será a compensação que deverá ser paga à área fornecedora das águas transpostas.

IMPACTOS

Sobre os impactos ambientais que a transposição das águas poderá causar, Raimundo Garrido sustentou que devem ser avaliados os aspectos que poderão afetar o meio físico, como a retirada de um volume de água capaz de gerar situações de assoreamento no Rio São Francisco, e erosões nos rios onde chegarão as águas transpostas. Também deve haver uma preocupação com as comunidades aquáticas, o meio vivo, para que não desapareçam, a exemplo do caso de águas transpostas no Canadá, onde os salmões desapareceram de seu habitat.

Na fase de debates, o presidente do Comitê Executivo de Estudos Integrados da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (Ceeivasf), José Teodomiro de Araújo, afirmou que as autoridades precisam atentar para a questão da transposição, "porque na equipe de estudos existem pessoas de costas para o Rio São Francisco, sem preocupações com as os reflexos da transposição". Outro debatedor, o presidente da Hidrossistemas Engenharia de Recursos Hídricos, Sérgio Menin Teixeira, citou três aspectos que devem ser levados em consideração com a transposição: as autoridades e os técnicos envolvidos no projeto devem verificar a conveniência do empreendimento, se produzirá benefícios; a pertinência de empreendimento de tamanha magnitude; e a elaboração de um protocolo entre os parceiros para disciplinar as compensações.

MESA

A reunião foi presidida pelo deputado Carlos Pimenta (PSDB), e a mesa contou com as presenças do deputado Marco Régis (PPS), presidente da Comissão Especial que estuda a transposição do Rio São Francisco; do secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Raimundo Garrido; do presidente da Hidrossistemas Engenharia de Recursos Hídricos, Sérgio Menin Teixeira; e do consultor de Recursos Hídricos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Paulo Romano.

Responsável pela informação: Eustáquio Marques - ACS - 31-2907715