Vereador denuncia traficantes em reunião da CPI

O vereador do município de Pedra de Maria da Cruz, no Norte de Minas, Adil Hernani Alves Pereira, denunciou, na reuni...

12/05/2000 - 18:09

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Vereador denuncia traficantes em reunião da CPI

O vereador do município de Pedra de Maria da Cruz, no Norte de Minas, Adil Hernani Alves Pereira, denunciou, na reunião da CPI do Narcotráfico desta quinta-feira (11/05/2000), aqueles que seriam os responsáveis pelo tráfico de drogas de sua cidade, entre eles o prefeito Reginaldo Batista Avelar. Também foram ouvidos na reunião, o funcionário da loja de veículos Riocar, uma propriedade empresário Paulo César Santiago, Pedro de Alencar da Silva, conhecido como "Pinduca", e também Euvânia Alves Luiz, secretária da empresa Vigilar, empresa contratada para fazer a segurança do haras do empresário em Montes Claros.

De acordo com o vereador de Maria da Cruz, o município é um pólo de repasse de drogas, por estar próximo do Rio São Francisco. O relator da Comissão, deputado Rogério Correia (PT), afirmou que, durante os trabalhos da CPI em Montes Claros, um dos depoentes citou o nome do vereador João Vidal, de Maria da Cruz, como um dos envolvidos com o tráfico na região. Adil confirmou que Vidal é usuário de drogas e já foi traficante. "João Vidal tem mantido pessoas no município por meio de sua droga", denunciou.

Ele também afirmou que Valnei Rodrigues, motorista da lancha do prefeito da cidade, a utiliza para buscar drogas na Bahia para distribuição. Adil disse que certa vez Valnei chegou a lhe pedir gasolina emprestada e revelou que era para buscar a droga. O vereador entregou aos deputados da CPI do Narcotráfico todos os nomes que estariam envolvidos no tráfico da cidade. "Dizem que tem até plantio de maconha", suspeita. O presidente da Comissão, deputado Marcelo Gonçalves (PDT), ressaltou a importância das denúncias e disse que todos os citados serão ouvidos. Adil pediu proteção aos deputados pois, segundo ele, já está sofrendo ameaças.

PINDUCA

O funcionário da empresa de Paulo César Santiago no Rio de Janeiro, Riocar, Pedro de Alencar Silva, o "Pinduca", negou todas as denúncias feitas pela testemunha identificada como "Laércio da Cunha". Em seu depoimento, Laércio disse que Pinduca sabia do esquema da droga em Montes Claros e contou que o traficante Fernando Beira-Mar investiu R$ 500 mil na campanha eleitoral do deputado Arlen Santiago (PTB), irmão do empresário. "Tenho certeza de que todas as denúncias de Laércio são infundadas", garantiu Pinduca.

Pinduca disse que trabalha para Paulo César Santiago há 20 anos. Primeiramente foi auxiliar de garçom na churrascaria "Roda Viva", de Santiago; depois foi trabalhar na loja "Nacional Veículos", também do empresário, como lavador de carros; além de ter sido motorista antes de se tornar vendedor - função que exerceu até 1988. Em 1990, foi trabalhar na Riocar e, em 1996, decidiu montar sua própria revenda de veículos: a Automontes.

O informante Laércio da Cunha, em seu depoimento, contou aos parlamentares que conheceu Pinduca quando foi comprar um Kadet na Automontes. Segundo Laércio, o carro estava sem documentos, por isso foi procurar Paulo César Santiago no Rio de Janeiro para trocá-lo por um Tempra. Pinduca confirmou a compra e a troca dos carros por Laércio, mas alegou ter sido a única vez que teve contato com ele. "Fiquei sabendo que era um bandido agora pelos jornais", disse.

Sobre o deputado Arlen Santiago (PTB), Pinduca disse que o parlamentar nunca foi à sua loja, mas Paulo César Santiago ele afirmou que conhece bem. "Tenho um relacionamento muito bom com ele. Tudo o que eu sou devo a ele; tenho uma gratidão muito grande", revelou. Questionado pelo deputado Sargento Rodrigues (PL) sobre o possível encontro do traficante Fernando Beira-Mar com o deputado Arlen Santiago (PTB) e seu irmão Paulo César, Pinduca garantiu ser mentira. "Não é do feitio de Paulo andar com pessoas que mexam com qualquer coisa de errado", defendeu. Ele afirmou que esteve no haras de Paulo César apenas algumas vezes, fazendo churrasco para os criadores de cavalos. Nessas estadas, não observou o uso de armas pela segurança do local.

VIGILAR

A secretária da Vigilar Euvânia Alves Luiz se disse constrangida e muito nervosa por estar depondo na CPI. "Só sou uma simples funcionária", afirmou. O presidente da Comissão, deputado Marcelo Gonçalves (PDT), esclareceu que não existe nenhuma acusação contra ela e sua condição na CPI é de testemunha. Euvânia informou que entrou e saiu da Vigilar duas vezes, chegando até a ser sócia da empresa em uma ocasião. Ela contou que já esteve no haras de Paulo César a trabalho. Segundo Euvânia, a Vigilar também era responsável pelas recepcionistas das festas realizadas no local.

Euvânia Luiz revelou que a Polícia Federal está apurando as irregularidades da Vigilar, entre elas o porte ilegal de armas. Euvânia disse que já foi procurada para depor contra o proprietário da empresa, o sargento da Polícia Militar Paulo Jacinto Paulo Pereira, mas alega não saber da presença de armas no haras.

REQUERIMENTOS

O presidente da Comissão, deputado Marcelo Gonçalves (PDT), informou que todos pedidos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico feitos pela CPI serão encaminhados diretamente ao juiz da 12a Vara Criminal, Eli Lucas de Mendonça. Durante a reunião foram aprovados os seguintes requerimentos:

• Do deputado Sargento Rodrigues (PL), anexando aos documentos da CPI o depoimento do sargento da PM Jacinto Paulo Pereira, proprietário da Vigilar, prestado à Polícia Militar de Montes Claros; e convidando o major Benedito Moreira de Paula para depor na CPI;

• Do deputado Marco Régis (PPS), convidando os vereadores de Pedra de Maria da Cruz João Vidal e Carloci Ferreira; o prefeito Reginaldo Batista Avelar e os cidadãos Zé de Jacó e Valnei.

PRESENÇAS

Participaram da reunião os deputados Marcelo Gonçalves (PDT) - presidente; Paulo Piau (PFL) - vice-presidente; Rogério Correia (PT) - relator; Sargento Rodrigues (PL); Marco Régis (PPS); Carlos Pimenta (PSDB); José Henrique (PMDB); Luiz Tadeu Leite (PMDB); Márcio Kangussu (PPS); e Rêmolo Aloise (PFL).


Responsável pela informação: Carolina Braga - ACS - 31-2907715