Professores e alunos exigem compromisso com Uemg

Representantes dos corpos docente e discente da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) tiveram a oportunidade ...

02/05/2000 - 23:47

Professores e alunos exigem compromisso com Uemg

Representantes dos corpos docente e discente da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) tiveram a oportunidade de expor a sua opinião em relação aos problemas no processo de consolidação da universidade, nesta quinta-feira (27/04/2000). A Comissão Especial da Uemg recebeu a presidente do sindicato dos professores da Uemg (Sinduemg), Lavínia Rosa Rodrigues; e a presidente do diretório central da Uemg, Hélcia Maria da Silva Veriato.

Lavínia Rodrigues ressaltou a expectativa dos professores da universidade em relação aos trabalhos da Comissão. Apesar de estar falando em nome do corpo docente da unidade da Uemg em Belo Horizonte, a professora destacou o compromisso político dos governantes mineiros com o projeto de uma universidade estadual pública, gratuita e autônoma. Ela afirmou que é preciso deixar de lado os projetos emergenciais e passar a encarar a solução dos problemas da universidade a partir de um projeto mais aprofundado. "Não aceitamos a afirmação de que a Uemg é fantasia", ressaltou a presidente do Sinduemg. Ela apontou a política de enxugamento dos gastos públicos do Estado como uma forma de desmantelamento da Uemg e afirmou que a universidade pública não pode funcionar dentro da lógica do mercado.

LEGISLAÇÃO NÃO É CUMPRIDA
A presidente do Sinduemg denunciou que a lei 11.539/94, que dispõe sobre o processo de incorporação, absorção e extinção das fundações educacionais situadas no interior pela Uemg, não está sendo cumprida. Ela informou que a lei traz um anexo, que fixa o piso salarial dos funcionários da universidade. Segundo ela, se fossem corrigidos pela Taxa Referencial (TR), o valor do salário, hoje em torno de R$ 500, deveria estar próximo de R$ 1.200. Outro problema apontado por Lavínia Rodrigues é que 80% do corpo docente da Uemg é formado por professores designados. Eles não são efetivados em seus cargos e, por isso, são privados de uma série de direitos. Outra exigência dos professores é a imediata realização de eleição direta para reitor. "Queremos reitores comprometidos com a universidade pública", destacou ela.

MOVIMENTO ESTUDANTIL É IMPEDIDO DE PARTICIPAR DE CONSELHO
A presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade do Estado de Minas Gerais, Hélcia Veriato, acusou o Conselho Universitário da Uemg de desarticular o movimento estudantil dentro da universidade. Segundo a presidente, que compunha o Conselho, seu voto foi cassado, impedindo a sua participação nas reuniões. "O Conselho Universitário da Uemg é um conselho de marionetes", declarou a estudante. Ela afirmou ainda que o DCE não participa de nenhuma decisão dentro da reitoria da universidade. Como solução, ela também apontou a eleição imediata para reitor.

Durante o debate, Lavínia Rodrigues ressaltou que os professores estão unidos na construção da Universidade do Estado de Minas Gerais. Segundo ela, é necessário que o poder público dê sinais de seu comprometimento com os vários projetos da Uemg relacionados com o ensino, pesquisa, extensão e qualificação docente, entre outros.

Durante as reuniões da Comissão, foi apontado que algumas fundações do Interior não seriam beneficiadas com a sua absorção pela Universidade do Estado de Minas Gerais. Estas prefeririam continuar na condição de fundação privada. Segundo a presidente da Sinduemg, essas instituições foram as que mais se beneficiaram com o processo de absorção, recebendo grande quantidade de investimentos públicos e se beneficiando com o nome da Universidade do Estado de Minas Gerais. Ela desafiou essas fundações a devolverem os recursos recebidos do Estado, já que não estão satisfeitas em estar agregadas à universidade.

PRESENÇAS
Participaram da reunião a deputada Maria Tereza Lara (PT), presidente da Comissão, e o deputado Edson Resende (PSB).


Responsável pela informação: Alexandre Vaz - ACS - 31-2907715