Ex-reitor da Uemg é ouvido em Comissão

A Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) nunca foi prioridade para nenhum dos governos estaduais que se seguir...

04/04/2000 - 23:49

Ex-reitor da Uemg é ouvido em Comissão

A Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) nunca foi prioridade para nenhum dos governos estaduais que se seguiram à sua criação. A avaliação é de ex-dirigentes da instituição que prestaram esclarecimentos, nesta quinta-feira (30/3/2000), à Comissão Especial formada para proceder estudos e proposições acerca da Uemg. Foram ouvidos o ex-reitor da universidade, Aluízio Pimenta, e o ex-vice-reitor Antônio Faria.

Aluízio Pimenta explicou que, quando a Constituição de 1989 criou a Universidade do Estado de Minas Gerais, foi dado prazo de dois anos para que ela fosse implantada. Posteriormente, ele foi convidado pelo então governador do Estado, Hélio Garcia, para ocupar a reitoria da universidade. Foram feitas visitas às fundações que seriam incorporadas e verificou-se que existiam problemas urgentes a serem solucionados. Para isso, foi instituído o pagamento de mensalidades, foi criada uma reitoria, investiu-se na formação de professores e no melhoramento das bibliotecas.

Foi criada também legislação que permitiria a consolidação da universidade, possibilitando a absorção das fundações do interior do Estado. O ex-reitor enfatizou que os problemas de implantação não estão na lei, mas, sim, na burocracia que rege o processo, pois o cronograma de absorções não foi cumprido. Ele lembrou que somente no ano passado a Uemg foi credenciada através da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Quanto aos recursos que financiam a instituição, Aluízio Pimenta afirmou que eles provêm basicamente do Estado.

Antônio Faria continuou enumerando os problemas que a universidade veio passando desde a sua criação. Ele afirmou que, quando as fundações de Belo Horizonte (Guignard e Fuma) foram incorporadas pela Uemg, elas encontravam-se com infra-estrutura de trabalho precária. Além disso, a sua absorção não significou um acréscimo significativo de verbas, por já serem fundações estaduais. Ele lembrou também que não foram realizados concursos públicos para a contratação de novos professores. A propósito do processo de absorção das fundações do interior, Antônio Faria destacou vários entraves burocráticos que vêm sendo enfrentados. O ex-reitor ressaltou que o orçamento previsto pelo Estado para a Universidade é irrisório, dentro das necessidades das unidades da capital e do interior. Ele afirmou que o maior problema da Uemg foi nunca ter sido projeto prioritário de nenhum governo estadual.

Questionados pelo deputado Edson Rezende (PSB) sobre a viabilidade de absorção das fundações do interior do Estado pela Uemg, os convidados foram incisivos. Ambos disseram que é perfeitamente possível a absorção, desde que haja empenho do Poder Público para que isso aconteça. Como exemplo, Aluízio Pimenta citou as universidades estaduais paulistas, que contam com o financiamento vinculado ao orçamento do Estado (cerca de 9% das verbas).

Durante a reunião, foi aprovada emenda, do deputado Edson Rezende, a um requerimento que já havia sido aprovado. Ele requer que os presidentes das fundações venham munidos de documentos relativos às entidades que administram. Também foi aprovado requerimento da deputada Maria Tereza Lara (PT), convidando o secretário de Estado da Educação Murilio Hingel; a presidente do Diretório Central dos Estudantes da Uemg, Hélsia Maria Silva Veriato; e a presidente da Sinduemg; Lavínia Rosa Rodrigues.

PRESENÇAS
Participaram da reunião os deputados Maria Tereza Lara (PT), que a presidiu, Edson Rezende (PSB) e José Henrique (PMDB).


Responsável pela informação: Alexandre Vaz - ACS - 31-2907715