Detetive cai em contradição perante CPI do Narcotráfico

A CPI do Narcotráfico ouviu, nesta segunda-feira (27/03/2000), o detetive da Polícia Civil de Iturama, no Triângulo M...

28/03/2000 - 23:48

Detetive cai em contradição perante CPI do Narcotráfico

A CPI do Narcotráfico ouviu, nesta segunda-feira (27/03/2000), o detetive da Polícia Civil de Iturama, no Triângulo Mineiro, João Galdino da Silva. O detetive foi colocado à disposição da Superintendência da Polícia Civil no dia 17 de janeiro, pois estão sendo apuradas denúncias de seu envolvimento com o tráfico de drogas na região. Durante o depoimento, Galdino não conseguiu responder vários questionamentos, caindo em contradições. Como seu mandado de prisão já estava expedido, o detetive foi preso e seguiu diretamente para o Departamento de Operações Especiais (Deoesp).

Na última quarta-feira, dia 22 de março, o presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Marcelo Gonçalves (PDT), e o deputado Sargento Rodrigues (PL), estiveram em Iturama, quando foram presos dois traficantes com cerca de seis quilos de cocaína pura prensada, celulares, documentos falsos, cheques frios, uma balança de precisão e uma prensa. Um dos traficantes, Cícero de Souza Medeiros Júnior, informou que o detetive João Galdino da Silva facilita o tráfico na região garantindo a cobertura e proteção do narcotraficante Youssef Rahal, mais conhecido como "Turcão".

EXPLICAÇÕES
De acordo com Galdino, os indícios que o incriminam foram levantados pela Polícia Militar e estão ligados à apreensão de 157 kg de drogas no aeroporto da região em maio do ano passado. Ele explicou que, na ocasião, recebeu uma denúncia do próprio Turcão de que havia uma movimentação diferente no referido aeroporto. Como tem o costume de checar todas as informações mesmo sem pedir autorização a seu superior, Galdino seguiu para checar a denúncia que Turcão havia lhe passado por celular.

O detetive afirmou que não encontrou nada de estranho no aeroporto e, quando saia, encontrou com policiais militares que também apuravam a denúncia. "Eu não tenho envolvimento nenhum com a droga. Almoço, janto e pago a minha faculdade com o salário da Polícia Civil", afirmou.

Em resposta ao deputado Sargento Rodrigues, João Galdino informou que em 1987 prendeu Turcão por adulteração de chassis de automóveis, mas não tem certeza de seu envolvimento com tráfico de drogas. Ele reconheceu que a localização geográfica de Iturama gera um fluxo grande de entorpecentes, mas como a cidade só tem ele como detetive a apuração é mais complicada. "Não trabalho com Turcão e não mexo com drogas", assegurou.

O presidente da CPI, deputado Marcelo Gonçalves (PDT), afirmou que em Iturama todos sabem que Turcão é traficante. "Todos conhecem Turcão como traficante e você como detetive não sabia e acatou quase que uma ordem dele?", questionou. O deputado Carlos Pimenta (PSDB) perguntou se ele tem o costume de ir checar as denúncias sem qualquer ordem de seu superior. De acordo com o policial civil, toda informação que chega ele tem a obrigação de apurar.

CONTRADIÇÕES
O delegado da Polícia Federal, Cláudio Dornellas, pediu uma explicação para os depósitos mensais de R$ 1.700,00 em sua conta corrente. Inicialmente, Galdino disse que o dinheiro é da venda de um carro, depois afirmou que pegava emprestado com sua ex-mulher, e também disse que vendeu uma casa. O delegado perguntou se ele sabia qual era o veículo do traficante Turcão. João Galdino respondeu prontamente que o traficante é proprietário de um Saveiro.

Dornellas fez uma descrição da apreensão dos 157 kg de droga no aeroporto, na forma como está descrito na ocorrência da Polícia Federal. De acordo com o delegado, a droga foi apreendida em um caminhão de fundo falso que seguia, justamente, um Saveiro. Segundo depoimentos de camponeses que trabalhavam nos arredores do aeroporto, o detetive foi visto dias antes rondando a região. João Galdino continuou negando qualquer envolvimento com o tráfico. Os deputados transformaram a reunião em secreta, mas o detetive continuou caindo em contradições.

HÉLIO COSTA
O deputado federal Hélio Costa (PMDB/MG) esteve presente na reunião desta segunda-feira. Ele veio discutir o projeto de sua autoria que tramita na Câmara dos Deputados, que duplica a pena para traficantes que vendem drogas em escolas. Ele pediu, ainda, que os integrantes da CPI do Narcotráfico visitem Barbacena. Segundo ele, nos últimos três anos cinco pessoas já morreram por causa do tráfico de drogas no município.

REQUERIMENTOS
Durante a reunião foram aprovados ainda os seguintes requerimentos:
· do deputado Rogério Correia (PT), que pede que sejam ouvidos Márcio João Ribeiro, vítima de extorsão policial; Shirley e Periquito, colaboradores do traficante Fernando Beira-Mar;

· do deputado Sargento Rodrigues (PL), que convida Expedito Silva Filho, Donizete dos Reis Gomes, Cabo Barbosa, e o delegado Campos, de Frutal, para prestarem esclarecimentos;

· da CPI do Narcotráfico, que pede ao governador que os 684 policiais aprovados em concurso público sejam colocados na ativa.

PRESENÇAS
Compareceram à reunião os deputados Marcelo Gonçalves (PDT), que a presidiu, Rogério Correia (PT), Carlos Pimenta (PSDB), Marco Régis (PPS), Sargento Rodrigues (PL) e José Henrique (PMDB).


Responsável pela informação: carolina Braga - ACS - 31-2907715