Direitos humanos discute questão indígena em Minas
Os integrantes das Comissões de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e da Câmara dos Deputados farão, neste mês...
15/04/1998 - 10:03Direitos humanos discute questão indígena em Minas
Os integrantes das Comissões de Direitos Humanos da Assembléia
Legislativa e da Câmara dos Deputados farão, neste mês, uma visita às áreas de
litígio das terras dos índios Maxacali, no Vale do Mucuri. A visita está
prevista em requerimento do deputado Durval Ângelo (PT), aprovado nesta
quarta-feira (15), em reunião da Comissão de Direitos Humanos da Alemg,
realizada para marcar a Semana dos Povos Indígenas.
Segundo o assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário (Cimi),
Luiz Chaves, os posseiros se negam a sair das terras invadidas, por não
concordarem com os valores das indenizações propostas pelo governo. De acordo
com Chaves, esta situação é ilegal, pois a terra é de propriedade da União e,
conseqüentemente, não-passível de indenizações.
Para o assessor do Cimi, é injustificada a demora do Estado em promover
a desocupação das terras Maxacali. Ele explicou que a área foi homologada pelo
governo federal em 1996, mas até hoje não foi realizada a desocupação. "Há um
jogo de "empura-empura" entre os poderes. Ninguém assume as
responsabilidades", ressaltou. O assessor relembrou que a ocupação das terras
foi feita de forma violenta e com má-fé.
Reunião - Ele propôs ainda uma reunião entre o Ministério Público, Funai
e outras entidades para buscar uma solução, dentro do Direito Administrativo,
para a questão Maxacali. "Já é hora do povo Maxacali voltar a pescar no rio,
do qual foi expulso, e a caçar na mata que lhe pertence", disse.
Representante da Funai alega que não tem poder de polícia
Segundo o administrador regional da Funai, Wilson Madson Andrada, a
Fundação tem encontrado dificuldades para implantação de seus programas,
devido à falta de recursos humanos e financeiros. Ele informou que o orçamento
da entidade foi reduzido em 50%, em relação ao ano de 1997. Andrada alegou que
a Funai não pode determinar a desocupação da área Maxacali, por não possuir
poder de polícia. Segundo ele, é preciso uma ordem judicial para que a Polícia
Federal retire os posseiros do local.
Descaso - Para a antropóloga e representante do Centro de Documentação
Eloy Ferreira da Silva (Cedefes), Vanessa Caldeira, a fala do representante
da Funai revela o descaso do governo com as questões indígenas. Para ela, as
medidas tomadas até então são mais burocráticas que efetivas. "Tudo é muito
distante da realidade das comunidades".
Estatuto - A antropóloga solicitou que a Comissão se manifeste a favor
da aprovação do "Novo Estatuto dos Povos indígenas", que está em tramitação no
Congresso Nacional desde 1991. "Este estatuto é fundamental para a
consolidação dos direitos dos povos indígenas do Brasil", afirmou.
Procurador da República busca acordo entre índios e posseiros
O procurador da República e procurador regional dos Direitos do Cidadão,
Álvaro Ricardo de Souza Cruz, informou que a Procuradoria já está trabalhando
nos processos de desocupação da terra dos Maxacalis. Ele acrescentou que o
Poder Judiciário está procurando atender os dois lados envolvidos no litígio -
índios e posseiros.
Álvaro Ricardo disse, ainda, que a Procuradoria determinou às prefeituras
dos municípios onde se encontram as áreas indígenas o pleno atendimento das
comunidades. "Será caracterizado como crime de omissão a recusa do atendimento
de índios nos hospitais e postos de saúde dos municípios", afirmou.
Presenças - Foram aprovadas diversas proposições constantes da pauta da
reunião. Participaram da reunião os deputados João Leite (PSDB), que a
presidiu, Durval Ângelo (PT), Tarcísio Henriques (PSDB) e Péricles Ferreira
(PSDB). Participaram, ainda, o superintendente da Secretaria de Estado do
Trabalho, da Assistência Social, da Criança e do Adolescente, Ilídio Inácio; o
coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Luciano Marcos Pereira
da Silva; o deputado federal Nilmário Miranda (PT) e representantes dos seis
povos indígenas do Estado.
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