Secretário rebate críticas e fala sobre Fundo para Educação
O secretário de Estado da Educação, João Batista dos Mares Guia, rebateu, nesta quinta-feira (16), as críticas do Sin...
17/10/1997 - 03:08Secretário rebate críticas e fala sobre Fundo para Educação
O secretário de Estado da Educação, João Batista dos Mares Guia, rebateu,
nesta quinta-feira (16), as críticas do Sindicato Único dos Trabalhadores em
Educação (Sind-UTE) e de participantes do Fórum Técnico "Ensino fundamental
sob a nova legislação", de que a municipalização do ensino de 1ª a 8ª séries
esteja sendo imposta pelo governo ou feita às pressas. Segundo Mares Guia, a
Secretaria tem promovido vários debates no interior sobre o assunto e
procurado esclarecer as dúvidas de professores e prefeitos. Ele falou na tarde
do primeiro dia do evento.
Mares Guia elogiou a Lei 9.424/96, que regulamenta o Fundo de
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundão)
- que destinará, em 1998, R$ 315,00 para cada aluno matriculado entre a 1ª e a
8ª séries. "Ela demarca responsabilidades de Estados e municípios e determina
um investimento mínimo na melhoria da qualidade do ensino", destacou.
Criticou, no entanto, o que chamou de "defeito genético" da norma jurídica.
Segundo ele, a Lei determina que Estados e municípios devem injetar no Fundo
15% das receitas de ICMS, IPI e FPE (no caso do Estado) ou FPM (no caso dos
municípios), mas não considera as receitas de IPTU, ISS e ITBI - que cabem
somente às Prefeituras e, no caso de Belo Horizonte, corresponderiam a 50% do
total das receitas.
O secretário comentou também a interpretação de prefeitos mineiros de que
a Lei 9.424/96 inviabiliza os municípios, pois compromete grande parte dos
recursos arrecadados. O secretário ressaltou que os municípios devem planejar
suas atividades e investir no gerenciamento das políticas públicas. "Muitos
administradores ficariam em maus lençóis se fosse rigorosamente apurada a
aplicação, em educação, dos 25% das receitas tributárias. Em muitos
municípios, o dinheiro é utilizado para adquirir veículos, custear a
Prefeitura e substituir mata-burros", criticou.
O presidente da Federação Mineira das Associações Microrregionais de
Municípios (Femam), Vítor Vieira dos Santos, destacou, por outro lado, que a
Lei 9.424/96 foi elaborada sem a participação efetiva da sociedade civil e dos
prefeitos. Lembrou também que o Estado deve cumprir suas tarefas em outras
áreas - e não somente na educação. O comentário foi feito após as críticas de
Mares Guia aos prefeitos e após a afirmação do secretário de que Minas investe
45% das receitas tributárias em educação, e os municípios, 25%. Acrescentou
que um grave defeito do processo de municipalização é a "cultura altamente
corporativa, que dificulta o caminhar dos pequenos municípios".
Para o coordenador-geral do Sind-UTE, Antônio Carlos Hilário, Minas
Gerais corre o risco de reproduzir experiência verificada no Chile, com o
advento da municipalização - a privatização do ensino fundamental. "Por
desinformação, muitos estão aderindo à municipalização, obedecendo apenas à
lógica de que novas matrículas implicam a destinação de mais recursos para as
Prefeituras. Só que os prefeitos se esquecem de que estarão assumindo uma
série de encargos, como crescimento vegetativo da folha de pagamento, sem
conseguir levar adiante o processo", opinou.
Mares Guia respondeu também pergunta do deputado Gilmar Machado (PT)
sobre os critérios utilizados na realização de convênios para viabilizar a
transferência de escolas da rede estadual para a municipal.
Responsável pela informação: Fabiana Oliveira - GCS - 031-2907800]