Bancos ainda dificultam acesso de peq. produtores ao Pronaf
As dificuldades impostas pelos bancos para o acesso dos pequenos produtores rurais ao Programa Nacional de Fortalecim...
23/10/1997 - 03:08Bancos ainda dificultam acesso de peq. produtores ao Pronaf
As dificuldades impostas pelos bancos para o acesso dos pequenos
produtores rurais ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (Pronaf) foram discutidas nesta quarta-feira (22) na reunião da
Comissão de Agropecuária e Política Rural da Assembléia Legislativa. A reunião
foi realizada a requerimento dos deputados Roberto Amaral (PSDB) e Maria José
Haueisen (PT), a partir de reclamações de agricultores.
Sebastião dos Santos, de Senador Modestino, denunciou que agências exigem
que o interessado faça seguro de vida para conseguir o financiamento, além de
documentação comprovando a posse da terra (o que não é exigido pelo Pronaf).
Outras agências exigem até abertura de caderneta de poupança. O deputado
Antônio Júlio (PMDB) relatou caso de um agricultor que foi obrigado a gastar
R$1.600,00 com a documentação para conseguir empréstimo de R$5.000,00.
O secretário de Administração de Águas Vermelhas, Nilson Campos, disse
que o município só tem agências do Bemge e do Banco do Nordeste e que a maior
dificuldade é com o Banco do Estado de Minas Gerais. "Há desinteresse do Bemge
em resolver os problemas do Pronaf. Mandamos 53 cartas-propostas e nenhuma foi
respondida", reclamou.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bocaiúva, Manoel
Xisto de Souza, contou que cinco municípios da microrregião já receberam
recursos e Bocaiúva, não. "Se tem problemas com a Superintendência eu não sei,
mas com as agências tem.", afirmou contando que só o novo gerente do Banco do
Brasil, há cerca de três meses, tem demonstrado boa vontade.
O representante da Fetaemg, Juraci Moreira Souto, ressaltou a necessidade
de criar um grande plano nacional de desenvolvimento da agricultura familiar.
Para ele, o Pronaf, embora seja uma conquista, é um programa tímido que,
apesar de tudo, tem que ser efetivado. Ele reivindicou que o Banco do Brasil
informe quem são os atendidos pelo programa, mesmo que, devido ao sigilo
bancário, não informe os valores para cada um. Juraci criticou, ainda, as
garantias exigidas. "É muito difícil para o pequeno agricultor,
descapitalizado, conseguir avalista ou bens que possa dar em garantia",
observou. O representante da Fetaemg disse, também, que os valores
apresentados pelo Banco do Brasil não revelam a grande demanda não atendida.
O coordenador da Área Rural do Banco do Brasil em Minas, Fabiano
Oliveira, disse que as garantias seguem normas do Pronaf e que os gerentes não
têm autonomia para inventar documentos. Ele disse, ainda, que a
Superintendência Regional da instituição tem aberto um canal de comunicação
para solucionar problemas como esse. O coordenador ressaltou, entretanto, que
o Banco não pode conviver com níveis de inadimplência do passado - que
chegaram a 45% dos investimentos. "O acesso ao crédito está vinculado ao
caráter o produtor", observou.
O gerente executivo do Bemge, José Luiz Domingos, reconheceu que o banco
se dispôs a trabalhar apenas com um pequeno valor para o Pronaf. Ele se
comprometeu a levar as reclamações ao superintendente que, por sua vez,
levaria à Diretoria do Bemge. O assessor da Superintendência do Banco do
Nordeste, Davidson Dantas, e o gerente do Ambiente de Implementação de
Programa, Luis Sérgio Machado, falaram sobre a forma de atuação do banco,
especialmente no Norte de Minas, e o que tem sido feito para facilitar o
crédito aos micro e pequenos produtores.
A deputada Maria José Haueisen (PT) observou, após os relatos, que há
descompasso entre os superiores, gerentes de agências e produtores rurais. Ela
reforçou que apenas o Banco do Brasil tem explicações e procura resolver os
problemas e pediu, através de requerimento aprovado pela Comissão, que fossem
fornecidos pelos três bancos, por município, o montante liberado através do
programa e os nomes dos beneficiados. Também participaram da reunião os
deputados Paulo Piau (PFL), que a presidiu, Elbe Brandão (PSDB), José Militão
(PSDB), Jorge Eduardo de Oliveira (PMDB), Antônio Andrade (PMDB), Wilson Pires
(PFL) e Adelmo Carneiro Leão (PT).
Responsável pela informação: Fabiola Farage - GCS - 031-2907800