Sec.de Segurança nega uso de medicamento para acalmar presos
O chefe do Departamento de Assuntos Prisionais da Secretaria de Estado da Segurança Pública, Eduardo Ângelo Tavares, ...
10/10/1996 - 03:30Sec.de Segurança nega uso de medicamento para acalmar presos
O chefe do Departamento de Assuntos Prisionais da Secretaria de
Estado da Segurança Pública, Eduardo Ângelo Tavares, negou nesta
quarta-feira, na Assembléia Legislativa, que medicamentos controlados
estejam sendo ministrados indiscriminadamente aos presos sob guarda do
Departamento de Investigações, em Belo Horizonte, conhecido como
Depósito de Presos da Lagoinha. Ele compareceu à Comissão de Direitos
e Garantidas Fundamentais, atendendo a requerimento do seu presidente,
deputado João Leite (PSDB), para tratar da denúncia, feita pelo jornal
"Hoje em Dia", de que os medicamentos estariam sendo utilizados para
acalmar os presos.
Eduardo Ângelo disse que a denúncia é infundada e a atribuiu a
uma "maldade ou ignorância" do repórter que ouviu um delegado do
Centro de Triagem do DI. Segundo Ângelo, o delegado afirmou que,
apesar da difícil situação enfrentada pelo Estado, e particularmente
pela Secretaria de Segurança Pública, os presos têm recebido
atendimento especializado, sendo que somente têm recebido medicamento
controlado os que dele necessitam por ordem médica.
O chefe do Departamento de Assuntos Prissionais afirmou ainda que
o Centro de Triagem tem capacidade para 68 presos e que chega a
receber até 230 presos, devido à falta de vagas nos estabelecimentos
penitenciários de Minas. Ele defendeu a construção de cadeias públicas
padrão no interior como forma de diminuir o problema, mas ressaltou
que a solução definitiva é a construção de mini-penitenciárias em todo
o Estado.
Contratados não têm preparação - Também participou da reunião da
Comissão o superintendente de Organização Penitenciária da Secretaria
de Estado da Justiça, Ediraldo Brandão. Ele disse que atualmente em
Minas, como em todo o País, há carência de vagas e de pessoal no
sistema penitenciário.
Brandão afirmou que devido à falta de concursos públicos, está
sendo admitido pessoal para trabalhar em penitenciárias através de
contratos provisórios. Ele salientou que esse tipo de contratação
piora o atendimento aos presos, já que os contratados provisoriamente
não recebem treinamento adequado que é necessário para o desempenho da
atividade de guarda penitenciário.
O superintendente disse que algumas medidas têm sido tomadas para
melhorar a situação dos presos, como a construção de um hospital para
presos aidéticos, com 26 leitos, e de um hospital de custódia e
tratamento em Ribeirão das Neves, com recursos do Fundo Penitenciário
Estadual. Além disso, afirmou, com recursos do Fundo Penitenciário
Nacional está sendo construída penitenciária em Governador Valadares,
o que criará 496 novas vagas. Ele destacou que a Penitenciária de
Contagem não pode receber novos presos no momento, pois seus seis
pavilhões estão em reforma.
Participaram da reunião da Comissão de Direitos e Garantias
Fundamentais o deputado João Leite (PSDB) - presidente, Antônio
Roberto (PMDB), Carlos Pimenta (PL), Jorge Eduardo de Oliveira (PMDB)
e Dimas Rodrigues (PPB).
Responsável pela informação: Lucio Peres - GCS - 031-2907800