A distribuição de sacolas para transporte de mercadorias, sejam biodegradáveis ou não, é uma opção dos estabelecimentos comerciais. Há comércios que usam sacos de papel, por exemplo, e não há porque impor a estes o uso de sacolas biodegradáveis. Trata-se da autonomia de cada comércio para o seu adequado equilíbrio econômico. Em Belo Horizonte, lei que proíbe a distribuição de sacolas plásticas caiu em desuso: boa parte dos estabelecimentos voltou a distribuir sacolas plásticas; mas conheço também um supermercado que opta, até hoje, por não distribuir sacola alguma, seja plástica ou biodegradável; há quem argumente que a distribuição gratuita favorece o desperdício. As sacolas de plástico são apenas uma pequena parte do problema da destinação do lixo. Não havendo as sacolas dos supermercados, o consumo e circulação de sacos plásticos de lixo irá aumentar consideravelmente... e diversos outros artigos (de plástico ou não), continuarão a entupir os bueiros. Nós certamente não proibiremos a circulação de todos os artigos de plástico ou não biodegradáveis; portanto, desde já, devemos focar na educação das pessoas, em melhores formas de destinar o lixo e em bens e produtos mais sustentáveis e menos descartáveis. Em Belo Horizonte, a coleta seletiva é precária, os pontos de coleta estão desaparecendo e as pessoas mal jogam o lixo nas lixeiras comuns.
Esta proposição de lei ilustra um problema recorrente de interferência do Estado na esfera econômica, modificando-a de forma agressiva e sem atacar o cerne do problema. Dois outros exemplos: 1- o decreto que proibiu a produção de lâmpadas incandescentes, pelo fato de estas gastarem mais energia que outras, como as lâmpadas de Led: deveria tratar-se de uma escolha dos consumidores pagar mais barato pela lâmpada incandescente e mais caro na conta de luz (ou o inverso). O mercado se ajusta naturalmente, livremente. O decreto é arbitrário, pois não proíbe a produção de inúmeros outros bens que também apresentam gastos superiores de energia, como carros super-potentes; e é agressivo, pois acaba, de uma só vez, com um setor da economia que já estava diminuindo gradual e naturalmente (democraticamente, a partir das escolhas dos consumidores); 2- a obrigatoriedade de os carros novos incluírem air bag e freio ABS: novamente, deveria trata-se de uma escolha das empresas e das pessoas, preço maior por maior segurança (ou o inverso, que seja maior cuidado no trânsito, o que sequer é cogitado, uma vez que a obrigatoriedade de super freios e air bags é pressuposto de um trânsito cada vez mais violento e caótico). Mas o Estado (não democrático) obriga que o preço seja mais alto e que esses itens sejam inseridos em todos os carros, indiscriminadamente; desconsidera o fato de que as pessoas podem escolher, a seu custo e responsabilidade, não só em relação à segurança no trânsito, mas em todos os aspectos de suas vidas. Elas devem ser educadas para isso, não obrigadas; há uma diferença fundamental.