Este Projeto de Lei busca criar um parque estadual, justificado pela preservação de recursos naturais, conservação de elementos cársticos e proteção do monumento natural de nome “Pedra do Cálice”. Objetivos nobres e relevantes, que sempre devem ser considerados quando tratamos do desenvolvimento sustentável do nosso estado de MG.
Porém, o que chama atenção neste Projeto é o traçado da unidade de conservação proposta, que segundo o Memorial Descritivo apresentado, poderá ocupar uma área de 9.253 hectares, englobando os municípios de Pains, Pimenta e Córrego Fundo.
O traçado, apesar de incluir o monumento da Pedra do Cálice, não apresenta sequer uma justificativa técnica plausível para sua delimitação, se estendendo por grandes extensões em áreas já antropizadas e, estranhamente, gerando uma suposta proteção de 9.000ha a sudoeste e, em contrapartida, uma grande vulnerabilidade nas proximidades da Pedra do Cálice. Isto apenas destaca a falta de critério técnico e ambiental para delimitar o perímetro.
E quanto à critérios técnicos, são várias as arestas que geram elementos de estranheza, onde pode-se listar: ausência de estudo de fauna, flora e levantamento de áreas com beleza cênica relevante e com potencial turístico; falta de um diagnóstico fundiário; nenhuma análise de viabilização de gestão da UC e atividades de integração com os produtores rurais e mineradoras já instaladas na região; ausência de um estudo de impacto econômico e social; falta de comunicação com as partes impactadas, dentre outros.
Ou seja, nenhuma transparência com a sociedade e uma total carência de critérios que realmente justifiquem a implantação do parque, o que leva a pensar em um movimento intencionalmente injusto e ideológico.
Os municípios de Pains, Pimenta e Córrego Fundo compõem uma região extremamente próspera, marcada por uma agricultura familiar altamente expressiva e por atividades de mineração e produção de cal de relevância nacional. Ações como esta PL, descabidas de critérios científicos e socioeconômicos, apenas geram um ambiente de especulações negativas, insegurança jurídica para novos investimentos e um real desgaste de tempo e recurso para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.