DEPUTADO ELMIRO NASCIMENTO (PFL)
Discurso
Homenagem à Diocese de Patos de Minas pelo Jubileu de Ouro. Informa a
apresentação de requerimento solicitando Reunião Especial para
comemoração do 50º aniversário de fundação da Diocese.
Reunião
83ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 05/11/2005
Página 35, Coluna 1
Assunto CALENDÁRIO.
Aparteante PAULO PIAU
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 05/11/2005
Página 35, Coluna 1
Assunto CALENDÁRIO.
Aparteante PAULO PIAU
83ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 27/10/2005
Palavras do Deputado Elmiro Nascimento
O Deputado Elmiro Nascimento - Sras. e Srs. Deputados, venho à
tribuna na tarde de hoje para prestar a homenagem desta Casa à
Diocese de Patos de Minas, que comemora o jubileu de ouro de sua
criação.
O então Papa Pio XII, em 5/4/1955, assim se pronunciou no início
da Bula Pontifícia que criou a Diocese de Patos:
“Para perpétua lembrança do acontecimento. Desde o dia em que a
infinita bondade de Deus quis elevar-nos à suprema dignidade da
Igreja, e possuir a plenitude do poder sagrado, nada consideramos
melhor e mais santo que apresentar àqueles que se gloriam do nome
de cristãos o caminho cada vez mais cômodo e mais apto para a
salvação eterna. Como, portanto, o nosso venerável irmão Alexandre
Gonçalves Amaral, Bispo de Uberaba, zeloso do bem dos fiéis que
vivem na região meridional do seu Estado, chamado Minas Gerais, na
República brasileira, pedisse a esta Sé de Roma que, dividido o
território da sua extensíssima diocese, fundasse uma nova diocese,
julgamos que sem dúvida se deve atender a este pedido.”.
Proféticas palavras de Sua Santidade. Há 50 anos, a Igreja em
Patos faz por honrar a instalação de sua Diocese e, para perpétua
lembrança do acontecimento, faz de sua história o fiel testemunho
da mensagem evangélica. De fato.
Instalada em 30/10/55, com a posse de seu primeiro Bispo, o
saudoso Dom José André Coimbra, a Diocese de Patos é semente
fecunda de paz em seu território.
Paz que é plantada pelas ações testemunhais de seus presbíteros,
seminaristas, religiosos e leigos. São eles, em conjunto, que
fazem dessa Diocese modelo da prática cristã e de convivência
harmônica entre as religiões nela sediadas.
Com orgulho, posso dizer que a nossa Diocese tem uma sólida
história na construção da cidadania, do desenvolvimento
sustentado, da educação e da formação de nossa gente.
A rigor, Patos de Minas nasceu sob a bandeira da fé.
Desde o momento em que Antônio Joaquim da Silva Guerra e sua
mulher, D. Luiza Corrêa de Andrade, em junho de 1826, doaram uma
“parte de terras de culturas e campos da fazenda denominada Patos,
na aplicação de Sant'Anna da Barra do Espírito Santo, Termo de
Araxá e Comarca da Villa de Paracatú do Príncipe, para que se
construísse um templo ao Glorioso Santo Antônio”, a história foi
pródiga com a região.
O crescimento do lugarejo foi vertiginoso para a época. “Terra
nutriz, poenta e avermelhada” atraiu pessoas de todos os cantos,
que vieram fazer das margens do Rio Paranaíba um recanto bom de se
viver.
E a Igreja Católica se fez presente desde o nascedouro do lugar.
Daí a formação cristã do patense ser tão sólida. As terras foram
desbravadas, tendo, por guia, sacerdotes que se dedicavam à
educação e à formação do povo dos Patos.
Seu primeiro pároco, na condição de vigário encomendado, foi o
Pe. José de Brito Freire e Vasconcelos, que iniciou a construção
do primeiro templo para o lugarejo.
Sucedeu-o o Cônego Getúlio Alves de Melo. Quando assumiu o
paroquiato patense, em 1875, instituiu uma comissão para que se
`erigisse um templo em louvor a Santo Antônio dos Patos´. Cônego
Getúlio faleceu em 1919, sem ver concluída a obra que iniciou, a
Matriz da Praça Dom Eduardo, cuja conclusão se deu com o saudoso
Monsenhor Manoel Fleury Curado.
Monsenhor Fleury, como carinhosamente era chamado por todos nós,
foi um gigante na história da criação da Diocese. Foi ele quem
primeiro percebeu o crescimento do lugar e o quanto a cidade do
`povo dos Patos´ iria representar para toda uma vasta região.
Percebeu Monsenhor Fleury que Patos seria sede de uma diocese,
tendo em vista a extensão geográfica da área territorial da
Diocese de Uberaba. Percebeu, também, que a matriz iniciada pelo
Cônego Getúlio seria pequena para atender a cidade. Para atender
uma diocese, então, seria impraticável.
Iniciou, então, o movimento para a construção da nova matriz, que
seria a futura guardiã da cátedra do Bispo de Patos.
Quando, em 30/10/55, D. Armando Lombardi, Núncio Apostólico, à
frente de comitiva de cinco bispos, deu posse a D. José André
Coimbra, a Catedral de Santo Antônio estava pronta.
Permito-me, Sras. e Srs. Deputados, prestar uma homenagem a
sacerdotes que, de forma exponencial, prestaram à Diocese de Patos
valorosa contribuição. Minha homenagem é pela grandeza do trabalho
que realizaram. Foram verdadeiros apóstolos na formação musical,
na educação, na pregação do Evangelho e na formação de várias
gerações de adolescentes, que povoam nosso país e honram nossas
mais caras tradições.
Ao enumerá-los, deixo registrada minha saudade e minha admiração.
Conheci a todos eles. Com alguns, tive convivência mais próxima,
com outros, tive a respeitável convivência que os mineiros
aprendem, desde o berço, a ter com os mais velhos e com aqueles
que são luminares da ciência e do saber.
Em primeiro lugar, Monsenhor Fleury, por quem todos os patenses,
independentemente de cores partidárias, têm saudoso respeito.
D. José André Coimbra, nosso saudoso D. José, Bispo pré-conciliar
que nos cativou com sua pobreza evangélica e sua riqueza cultural.
Morreu pobre e repousa em nossa catedral, onde seu túmulo pode ser
visitado por todos.
Pe. Antônio Alves de Oliveira, o cura da catedral de minha
infância. Cerimonioso, austero e músico primoroso, prematuramente
faleceu em desastre automobilístico.
Pe. Almir Neves de Medeiros, talvez o maior orador sacro que tive
a oportunidade de ouvir e com quem tive a oportunidade de
conviver. Sem medo de errar, posso dizer que Pe. Almir foi o
responsável maior pela formação de boa parte da juventude de
Patos. Cheio de manias, com uma cultura invejável, de trato às
vezes difícil, era, contudo, um amigo leal e companheiro de tantas
jornadas de muitos patenses.
Pe. Dias, Antônio Dias dos Reis; Pe. José André Caldeira Coimbra;
Monsenhor Sebastião Fernandes; Frei Antônio e Frei Joaquim de
Gangi; Pe. Bosco.
Pe. Tomaz e Pe. Vieira, que tanto colaboraram para o crescimento
de nossa diocese. Hoje, afastados do ministério sacerdotal,
continuam com os mesmos ideais cristãos.
Quero deixar expressa, ainda, minha homenagem ao Monsenhor Josias
Tolentino de Araújo, nosso eterno Pe. Josias. Foi ele o Secretário
da Sessão de Instalação da Diocese e é o único que ainda, graças a
Deus, encontra-se entre nós, em pleno ministério. Em seu nome, Pe.
Josias, deixo meu abraço a todos os padres da nossa querida
diocese cinqüentona.
A Diocese de Patos de Minas é composta pelos Municípios de Abadia
dos Dourados, Arapuá, Carmo do Paranaíba, Coromandel, Cruzeiro da
Fortaleza, Douradoquara, Guimarânia, Ibiá, Iraí de Minas, Lagamar,
Lagoa Formosa, Lagoa Grande, Matutina, Monte Carmelo, Patos de
Minas, Patrocínio, Perdizes, Presidente Olegário, Rio Paranaíba,
São Gonçalo do Abaeté, São Gotardo, Serra do Salitre, Tiros e
Varjão de Minas. São 24 Municípios das regiões do Alto Paranaíba e
Noroeste mineiro, que recebem os ensinamentos da cátedra de D.
João Bosco Óliver de Faria.
D. João Bosco, como carinhosamente o chamamos, desde a instalação
da diocese é o seu quarto Bispo. Sucedeu a D. José Belvino e a D.
Jorge Scarso. Tomou posse da nossa diocese em 22/2/92.
Chegou e foi recebido com carinho pelo povo dos Patos. Implantou
um novo sistema de administração na diocese, e suas visitas
pastorais são o testemunho de seu lema. Lema que assina o brasão
de armas e já chamou a atenção de todos pelo fato de não ser
grafado em latim, como de praxe acontece. Em letras firmes, seu
lema convida-nos a uma reflexão diária: “Só o amor constrói”.
D. João Bosco explica a todos que quer fazer de seu episcopado
uma mensagem de paz à violência do mundo moderno, apresentada pela
violência dos sistemas econômicos, das nações grandes sobre as
pequenas, do terrorismo, da violência urbana e da violência contra
as famílias.
Pastor ciumento de seu rebanho, D. João Bosco tem dado à Diocese
um novo cariz. E essa novidade, a rigor, tem como fundamento uma
frase lapidar que encima a capela de sua casa: “Deus é maior do
que o meu problema”.
Receba, D. João Bosco Óliver de Faria, os agradecimentos do povo
de Minas Gerais pelos grandes benefícios que a Diocese de Patos de
Minas trouxe para as regiões do Alto Paranaíba e Noroeste mineiro.
Que venham outros 50 anos!
Sr. Presidente, formalizando os cumprimentos da Assembléia
Legislativa do Estado de Minas Gerais à da Diocese de Patos de
Minas em razão de seu aniversário, apresento-lhe o seguinte
requerimento: o Deputado que este subscreve, na forma regimental,
requer a realização de uma Reunião Especial desta Casa para
homenagear a Diocese de Patos de Minas pelas comemorações dos seus
50 anos de sua instalação. Muito obrigado.
O Deputado Paulo Piau (em aparte)* - Como patense, não poderia
deixar de manifestar a minha alegria pelos 50 anos da Diocese de
Patos de Minas.
Cumprimentamos D. João Bosco, Bispo atuante e zeloso da nossa
Igreja Católica.
Recordo-me, dos meus tempos de menino e de jovem, de D. José
André Coimbra e de D. Jorge Scarso, Bispo que já se hospedou em
minha casa. Sou-lhe grato por presentear-nos, a mim e a minha
esposa, ao retornar de um encontro com o Papa João Paulo II em
Roma, com um pôster autografado pelo Papa.
Parabenizo o Deputado Elmiro Nascimento por sugerir nesta
oportunidade essa homenagem especial à Diocese de Patos de Minas,
que conduz tão bem os seus trabalhos. Temos de mostrar os bons
exemplos das pastorais e do trabalho social da Igreja Católica.
Isso é muito oportuno para dizer aos mineiros que a Igreja faz o
bem, e que temos de estar sempre, como a Assembléia Legislativa,
apoiando todas as instituições que trabalham pelo bem do povo.
Parabéns por essa iniciativa.
O Deputado Elmiro Nascimento - Muito obrigado, Deputado Paulo
Piau. Obrigado, Sr. Presidente.
* - Sem revisão do orador.