Pronunciamento

Discurso

Autor:
DEPUTADO DOUTOR JEAN FREIRE

Data: 18/08/2015   Hora: 14:00


Partido:
PT


Tipo:
Discurso


Resumo:
Comenta a realização, em Brasília – DF-, da 5ª edição da manifestação denominada “Marcha das Margaridas”.


Assunto:
DIREITOS HUMANOS.


Aparteante:
MARÍLIA CAMPOS, DURVAL ÂNGELO


Reunião:
Tipo: ORDINÁRIA Número: 64 ª Data: 18/08/2015 Hora: 14:00


Legislatura: 18 ª Sessão Legislativa: 1 ª Tipo da Sessão: ORDINÁRIA


Publicação: Diário do Legislativo em 25/08/2015 Pág: 30 Col: 1


64ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 18/8/2015

Palavras do deputado Doutor Jean Freire


O deputado Doutor Jean Freire – Sr. Presidente, caros colegas, deputados e deputadas aqui presentes, visitantes, telespectadores, depois desta bela fala do deputado Arnaldo Silva, eu não poderia deixar de falar um pouco da saúde. Primeiro quero parabenizar por estar nesta frente o Glaycon, que falou tão bem aqui sobre a saúde. Como servidor da saúde, na posição de médico, também não poderia deixar de tecer alguns comentários. Parabéns pela fala de vocês.

Acima de tudo, acho que temos de trazer este compromisso, desprovido de siglas partidárias, como venho sempre colocando. O nosso lema, o nosso compromisso é a saúde. No Vale do Jequitinhonha e no Vale do Mucuri também sofremos muito com as cirurgias eletivas. Vemos as dificuldades dos pacientes que vêm dessa região, do interior, para tratarem na capital. Ao ver essa frente parlamentar e essa comissão desenvolver tal trabalho, informo que podem contar com este deputado, principalmente quando vierem desprovidos de siglas partidárias. Os problemas não começaram agora, mas muito antes. Essas questões não serão resolvidas em 6 meses. O primeiro passo foi dado.

Acho que o primeiro passo foi dado: a regionalização do nosso governo ouvindo as pessoas, indo aonde os problemas estão. Tive oportunidade de, nos últimos dias, participar de fórum na cidade de Diamantina, Alto Jequitinhonha. Estar lá ouvindo as pessoas, sem sombra de dúvida, é o primeiro passo.

Quero dar as boas-vindas aos servidores do Judiciário. Tenham certeza de que podem contar com este deputado na causa de vocês. Parabéns pela belíssima luta, dela sou prova. Tenho recebido a visita de alguns de vocês, que têm persistido. Parabéns, é assim que se faz.

Sr. Presidente, na década de 1960, perto de 1968, nosso grande poeta Geraldo Vandré fez uma música belíssima: Pra não dizer que não falei das flores, que se tornou um verdadeiro hino de resistência à ditadura militar, um hino dos movimentos sociais, dos estudantes. O que tem isso a ver com minha fala de hoje? É que quero falar de manifestação, uma manifestação belíssima que aconteceu na semana passada. Tive o prazer, a felicidade de estar presente a essa manifestação. Alguns podem estar perguntando: que manifestação é essa? Uma verdadeira manifestação democrática. Ela não falava de golpe, Sr. Presidente. Era uma manifestação pela democracia, realmente.

Na década de 1980, foi assassinada brutalmente, na frente do seu esposo, na frente do seu filho, uma trabalhadora rural, Margarida Maria Alves, na cidade de Alagoa Grande, na Paraíba. Foi assassinada como muitos já foram neste país, por defender os trabalhadores rurais. A causa dela, entre outras, era defender que suas carteiras fossem assinadas, oito horas de trabalho por dia, o 13º salário para os trabalhadores rurais. Ela era presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, e foi, de maneira brutal, assassinada.

Eles só esqueceram que, como o nome Margarida lembra flor, ela era, na verdade, uma semente. Na semana passada, deputada Marília, eu tive a felicidade imensa de estar na manifestação Marcha das Margaridas, criada no ano de 2000 em homenagem a essa trabalhadora, em homenagem aos trabalhadores rurais, e que já está na quinta edição. Houve em 2000, 2003, 2007, 2011 e agora.

O que vão essas mulheres fazer em Brasília? A marcha se iniciou no dia 11. Esteve presente o presidente Lula na abertura e, no fechamento, a presidenta Dilma.

Neste final de semana, ao retornar à minha região, ao Vale do Jequitinhonha, ao ligar no domingo a televisão, vi a reportagem sobre a Marcha das Margaridas. Ela dizia que 35 mil mulheres estiveram presentes na manifestação reivindicando maior atenção do governo federal ao homem e à mulher do campo. Elas reivindicaram isso, é verdade, reivindicaram, mas a pauta é muito mais extensa e vai além disso. Fico muito feliz, tive a oportunidade de estar lá e presenciar isso. Vejo às vezes nas imagens da televisão que não mostraram determinadas faixas, como fizeram no último domingo. Lá não havia faixas feitas em grande escala numa gráfica para serem distribuídas pelo País, como a gente presencia às vezes, uma mesma faixa numa manifestação e a mesma faixa em outra manifestação.

Lá havia, sim, ideias de homens e mulheres, jovens, idosos, brancos e negros – não apenas uma classe – e várias reivindicações. Querido deputado Rogério Correia, que também chegou lá e teve a felicidade de participar da marcha, havia ideias de todo o País naquele movimento, mas as mulheres que ali estavam defendiam sobretudo a democracia. Vi tantas faixas mostrando isso, dizendo “não” a um golpe! Cito a letra da música de Geraldo Vandré: Pra não dizer que não falei das flores. A minha fala hoje é para não dizer que não falei das margaridas, que também são flores. A marcha não teve o espaço merecido nas redes de comunicação, nos jornais. Então, venho aqui hoje para não dizerem que não falei das margaridas.

A deputada Marília Campos (em aparte) – Deputado Doutor Jean, o senhor fala de uma história de luta, de violência contra os trabalhadores do campo. Hoje, esta deputada e o deputado Rogério Correia participaram da primeira reunião da câmara de negociação instaurada pelo governo Pimentel e, coincidentemente, ocorreu hoje também a primeira reunião com o MST. Tive uma impressão bastante positiva, porque vejo o governo Pimentel democratizar, descentralizar, regionalizar o seu governo e apostar num clima de diálogo e negociação. O que a câmara de diálogo fará para resolver os problemas urbanos e agrários é negociar. Com muito orgulho, estou representando a Assembleia Legislativa nessa câmara.

No seu pronunciamento, quando V. Exa. citou a grande Marcha das Margaridas, ocorreu-me que, em Minas, teremos muitos avanços a partir de agora nos conflitos rurais. A expectativa é dialogar e fazer negociação permanente com os movimentos rurais que acontecem no nosso Estado de Minas Gerais.

No meu pronunciamento anterior, deputado, disse aos trabalhadores do Judiciário que estão aqui hoje que estamos empenhados em ajudar no processo de negociação com o Tribunal de Justiça. O deputado Rogério Correia convidou-me para fazer parte da comissão que participará de uma reunião agora com o presidente do Tribunal de Justiça com o objetivo de discutir as reivindicações sobre a anistia dos movimentos grevistas dos trabalhadores do Judiciário. A nossa expectativa é que haja avanços nessa reunião com o Tribunal de Justiça, respeitando o direito de greve dos trabalhadores. Obrigada pela concessão do aparte, deputado.

O deputado Doutor Jean Freire – Muito obrigado.

O deputado Durval Ângelo (em aparte) – Deputado Doutor Jean Freire, acho importante trazer esse assunto da Marcha das Margaridas. Na semana passada, ocorreu uma triste manifestação aqui quando um deputado criticou essa marcha. Naquele momento, disse que conheci Margarida Alves quando atuava na Comissão Pastoral da Terra. Ela foi barbaramente assassinada na Paraíba, em Campina Grande, há 32 anos, porque teve a ousadia de organizar um sindicato de trabalhadores rurais, presidi-lo e lutar pelos direitos humanos em plena ditadura militar.

Foi assassinada porque tinha a coragem de dizer que era preferível morrer à bala a morrer de fome. Fome é coisa do passado no Nordeste e no Brasil graças aos governos Lula e Dilma.

Então, acho que é importante fazermos aqui até um ato de desagravo. V. Exa. esteve na Marcha das Margaridas. Lá estavam mulheres pobres, de luta, com força e que já conquistaram muitas coisas. Foi graças a uma Marcha das Margaridas que a titular da terra pode ser a mulher. Foi de uma Marcha das Margaridas que os Pronafs passaram a ser também publicados em nome das mulheres. Foi de uma Marcha das Margaridas que – lembrem-se dos 32 anos de assassinato – se permitiu uma grande campanha nacional de sindicalização e de carteira de trabalho para as mulheres do campo. Assim, considero importante isso.

Falando em luta, estarei com o presidente da Assembleia, com o deputado Rogério Correia – e feliz de saber que a deputada Marília também estará – tentando negociar com o presidente do Tribunal de Justiça uma solução para a questão dos movimentos grevistas da justiça, partindo do princípio de que não se deve criminalizar esses movimentos. O grande trunfo do governo Lula foi trazer para a realidade brasileira a não criminalização de movimentos sociais, a não criminalização de movimentos que lutam por justiça.

O deputado Doutor Jean Freire – Sr. Presidente, agradeço a fala do deputado Durval, com quem tanto tenho aprendido. Isso que ele disse seria o encerramento da minha fala.

É dessas verdadeiras manifestações que surgiram várias ideias. Em todas as marchas são entregues reivindicações, uma carta, no início ao presidente Lula, e agora à presidenta Dilma. Foi daí, dessa luta, dessa verdadeira manifestação que várias conquistas, como disse o deputado Durval, surgiram: a partir dessas margaridas.

Voltei de Brasília realmente com muita energia dada por essas mulheres. Tinha de ser a partir delas. O encerramento foi feito pela nossa presidenta Dilma. Isso os jornais não mostraram. Gostaria de parabenizar todas, cada uma dessas mulheres que saíram dos seus lares para estar em Brasília. Infelizmente, Sr. Presidente, lá perdemos mais duas margaridas. Duas mulheres faleceram por problema de saúde naquele momento, não durante a caminhada, mas deixaram as suas marcas e serão novas sementes na luta por mais justiça e em defesa da democracia.

Queria, sobretudo, parabenizar as mulheres mineiras, especialmente as dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, do Norte de Minas e do Rio Doce.

Concluo com uma frase enunciada pelo deputado Durval, uma frase da nossa querida Margarida Alves: “Prefiro morrer lutando a morrer de fome”.

Muito obrigado, Sr. Presidente.



Compartilhe:
Twitter Facebook
Email Versão para impressão

Perguntas Frequentes

  • Que pronunciamentos estão disponíveis no portal?

    Estão disponíveis os pronunciamentos de deputados feitos nas reuniões de Plenário e em eventos institucionais como seminários legislativos, fóruns técnicos e ciclos de debates. Podem-se pesquisar declarações de voto; discursos e apartes; questões de ordem; e decisões do presidente da Assembleia sobre os trabalhos legislativos.
    Também estão disponíveis pronunciamentos feitos por palestrantes, debatedores e demais participantes nos eventos citados.
    O resultado de pesquisa exibe pronunciamentos integrais a partir de 2001. Dados referenciais estão disponíveis desde 1988.

  • Quando os pronunciamentos estão disponíveis para consulta no portal?

    Os pronunciamentos estão disponíveis para consulta no dia seguinte ao de sua publicação no diário oficial do Estado.

  • Os pronunciamentos são editados antes de serem liberados?

    Os pronunciamentos não são editados. O que é feito, ao final das reuniões do Plenário, é a revisão e a montagem das notas taquigráficas dos discursos.

Veja também