Pronunciamento

Discurso

Autor:
DEPUTADA GEISA TEIXEIRA

Data: 10/03/2016   Hora: 14:00


Partido:
PT


Tipo:
Discurso


Resumo:
Demonstra apreensão pelo aumento de índices de criminalidade no Município de Varginha. Comenta os avanços sociais promovidos pelos anos de governo do Partido dos Trabalhadores - PT.


Assunto:
ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL.
EXECUTIVO.
SEGURANÇA PÚBLICA.


Aparteante:
DOUTOR JEAN FREIRE, MARÍLIA CAMPOS


Reunião:
Tipo: ORDINÁRIA Número: 12 ª Data: 10/03/2016 Hora: 14:00


Legislatura: 18 ª Sessão Legislativa: 2 ª Tipo da Sessão: ORDINÁRIA


Publicação: Diário do Legislativo em 19/03/2016 Pág: 119 Col: 1


12ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 10/3/2016

Palavras da deputada Geisa Teixeira



A deputada Geisa Teixeira – Boa tarde, Sr. Presidente, deputados, deputadas. Hoje vim falar sobre uma matéria que li no jornal O Tempo que me chateou bastante, uma vez que fala de Varginha, minha cidade. A reportagem fala dos índices de criminalidade que caíram, mas em Varginha cresceram 60%: (– Lê:) “Varginha lidera assassinato. Homicídios subiram 60% na cidade, maior alta entre os municípios acima de 100 mil habitantes. Morador de Varginha, no Sul de Minas, desde que nasceu, o comerciante Roberto Peixoto, de 43 anos, ainda se lembra de um tempo, não muito distante, em que se podia andar tranquilamente na cidade e passar meses sem ouvir falar de um assassinato. Nesta quarta, ontem, o assunto em Varginha era mais um assassinato de um homem esfaqueado dentro de casa por dois adolescentes. 'Antes, qualquer morte aqui era assunto para dias. Agora, quando mal acontece um, já estão matando outro. Está uma coisa de louco. Hoje vivemos com um medo que há poucos anos não tínhamos', conta Peixoto”.

A origem do meu trabalho social foi quando meu marido foi eleito prefeito na cidade pelo Partido dos Trabalhadores em 2001. Ele foi reeleito em 2004 e terminou sua administração em 2008 com 92% de aprovação pelo Ibope. E conseguimos eleger o nosso sucessor, Eduardo Corujinha.

Nessa época, quando o PT estava à frente da prefeitura municipal, muito se olhava pelos bairros mais pobres, trabalhamos pelos que menos tinham, pelos que não tinham voz nem vez. Por meio de projetos sociais importantes com adolescentes, conseguimos tirar dezenas, centenas, milhares de meninas e meninos do risco social. Isso é um trabalho de prevenção, esse é o trabalho que o PT faz nos municípios, busca olhar para os que menos têm condições, para os que poderiam, muitas vezes, estar se drogando, estar no mundo da criminalidade, não porque eles querem, mas porque são levados a isso em razão da falta de oportunidades. E, na oportunidade, durante o período em que estivemos no comando da prefeitura municipal, pudemos fazer para os menos favorecidos as escolas em tempo integral, a creche que atendia crianças de até 5 anos de idade por período integral. Ou seja, as mães tinham como trabalhar e levar o seu pão de cada dia para casa, evitando que essas crianças ficassem na rua. Por meio do Propac, trabalhamos a profissionalização de adolescentes, trabalhamos com adolescentes infratores. Tudo isso é um viés do PT, deputados Cristiano e Jean. Essa é nossa forma de administrar, e isso infelizmente incomoda muito.

Quando vejo uma reportagem falando que a minha Varginha é a cidade que infelizmente cresceu 60% nesses dados, ficamos chateados, porque, no Estado todo, houve uma redução.

O deputado Doutor Jean Freire (em aparte) – Deputada Geisa, primeiro gostaria de parabenizá-la pelo belo trabalho que tem cumprido nesta Casa e pelo trabalho que tem cumprido em sua região, sou seu seguidor e vejo as viagens, as visitas às suas bases, pela origem que tem. Parabéns pelo trabalho aqui.

Peço desculpas, você está trazendo propostas e debatendo, mas quero rebater algumas questões que vi sendo expostas, deputada. Vejo, às vezes, deputado chegar aí e esbravejar e teatralizar como se assim fosse passar algo a quem está ouvindo. Parece que ser porteiro é pouco, quando se compara com o presidente, que deveria ser um porteiro... Também já fui porteiro, deputada, do hospital da minha cidade e hoje estou aqui. No passado, eu até ficava pensando se era verdade ou não essa questão do ódio, mas a cada dia tenho mais certeza disso. Primeiro, não sou contra a investigação. Tem de investigar todos, sim. Seria bonito, talvez, se todos nós, políticos, deputados de todos os partidos, fizéssemos um requerimento e mandássemos investigar todos, mas todos, por igual. O errado é não investigar, é ter predileção por uma época, por um partido. Isso é errado.

Vejo aqui falar, por exemplo, que o presidente Lula incentiva as pessoas a não estudar. Deputada Geisa, quem mais criou universidades neste país? O Vale do Jequitinhonha é prova disso: três institutos federais, a universidade com campus em Diamantina, Teófilo Otôni e Vale do Mucuri. Criou mais universidades do que se criou em 100 anos, mais institutos federais do que todos eles criaram.

Agora sou obrigado a ouvir que esse presidente incentiva as pessoas a não estudarem. Somos obrigados a estar aqui ouvindo isso. Ver V. Exa. subir aí, deputada, para propor, para discutir, é o que o povo quer. Na semana das mulheres, ouvi a deputada Marília Campos ser cerceada em sua fala. Ao pedir aparte, um deputado disse, de maneira bem rude: “Agora não. Agora não”. Isso dói. Isso mostra realmente o ódio por um partido, por uma época em que mais houve inserção dos pobres. Não vou dizer aqui, deputada, que estudei em Harvard, que fiz isso ou aquilo, até porque não fiz, mas estudei pelo Fies. A primeira medida que o presidente Lula fez foi conceder o perdão àqueles que tinham estudado pelo Fies. Na época em que estudei, não era ele o presidente, eu fui um desses beneficiados.

Ontem recebi a visita de uma jovem, negra, advogada, em meu gabinete. Conheci o seu irmão na cidade de Minas Novas, um jovem, negro, médico, que retornou ao Vale do Jequitinhonha. Os dois são filhos de uma professora e de um relojoeiro, na cidade de Minas Novas. Os dois estudaram pelo ProUni, e eu sou obrigado a escutar que esse presidente incentiva que as pessoas não estudem. O presidente Lula não teve oportunidade de frequentar os bancos das universidades, mas, qualquer um, seja da oposição ou de qualquer partido, sabe da sua capacidade e sabe que ele mudou o Brasil. A raiva deles por essa época é porque foi quando os pobres tiveram mais direito e acesso à cultura, à saúde, à educação. Então, não posso escutar falarem isso desse presidente.

A senhora me desculpe por ter entrado nesse assunto, eu vi que a deputada veio aqui discutir e colocar propostas, mas não podemos nos calar. Um grande abraço. Parabéns pelo trabalho que tem efetuado nesta Casa.

A deputada Geisa Teixeira – Obrigado, Doutor Jean Freire, pelo seu aparte. É importante, mesmo, que estejamos relembrando e enfatizando sempre o que foi feito, desde o governo Lula, a mudança social que houve no nosso país. Isso representa muito.

Esta semana, quando estava em um voo, uma senhora, negra, humilde, sentou-se ao meu lado e começou a conversar. No início, ela não me reconheceu, apesar de ser da minha cidade. Daí a pouco ela me identificou e disse: “Olha, Geisa, é incrível, as pessoas estão falando muito do PT, eu me calo. Mas de uma coisa eu tenho certeza. Hoje, por exemplo, estou fazendo essa viagem para visitar a minha filha na Califórnia. Ela está estudando graças ao programa de governo do PT, que dá oportunidade para que as pessoas mais pobres e negras, como eu, estudem, ocupem os bancos das universidades. Hoje, a minha filha tem essa oportunidade. Na minha época, poderíamos trabalhar muito, querer muito, que não conseguíamos chegar nunca a um nível de vida melhor. Hoje tenho essa oportunidade de viajar. Assim também aconteceu com muitas colegas e amigas da minha filha que quiseram continuar seus estudos e ser alguém na vida”. Então, ficamos felizes em ouvir esses depoimentos e ver essas mudanças de vida das pessoas. Afinal de contas, quando uma pessoa tem uma mudança de vida e acesso à inclusão social, ali, são gerações e gerações que vão se desdobrando com uma melhor qualidade de vida.

A deputada Marília Campos (em aparte)* – Deputada Geisa, a sua fala e o seu posicionamento é alívio para os meus ouvidos e para o meu coração. V. Exa. relata uma experiência exitosa. Quando o seu marido foi prefeito de Varginha, sei que V. Exa. teve um papel fundamental, ao dirigir uma secretaria tão importante, a do Desenvolvimento Social. E traz aqui um relato importante, não só de uma boa gestão, com transparência, que promoveu o desenvolvimento econômico e social do município, mas também uma gestão pautada pela eficiência, pela transparência e pela participação popular.

O PT tem ótimos exemplos para dar, como também é o caso de Contagem, onde fui prefeita eleita e reeleita. V. Exa. sabe que para nós, mulheres, chegar onde estamos, não é fácil, porque a competição não é igual para todos e todas. E se não é igual, para as mulheres a competição ocorre sempre com uma desvantagem muito maior. Fui reeleita e hoje tenho uma grande aprovação no município. Também fizemos uma boa gestão, com transparência, com democracia. Isso é muito importante dizer, porque o que estou vivendo aqui nesta Assembleia ultimamente é uma experiência ruim. No ano passado e neste ano, o debate tem sido pautado pelas ofensas pessoais. Quando falam que não somos trabalhadores, que somos arruaceiros, que cometemos crimes, que somos ladrões porque somos do PT ou porque somos sindicalistas, isso é uma ofensa à nossa história, à história que promoveu a inclusão social de milhões e milhões de brasileiros.

V. Exa. trouxe um alívio muito grande ao meu coração, e gostaria de concluir dizendo que estou junto com o deputado Geraldo Pimenta. Estamos acompanhando o processo de Betim, deputada Geisa, que é uma prefeitura do PSDB, mas não vou partidarizar o problema. Vou discutir que não aceitamos o que está acontecendo em Betim, que é a 2ª maior arrecadação do Estado e hoje fecha a maternidade municipal, fecha unidades de urgência e tenta municipalizar um hospital que é referência regional, provocando um profundo sofrimento para a população de Betim e para a população da região metropolitana.

Estive agora com o deputado Geraldo Pimenta e cinco vereadores no Ministério Público Estadual, e saímos aliviados, porque aquele órgão se comprometeu a fazer uma recomendação para a Prefeitura Municipal de Betim, para que suspenda o processo de fechamento de unidades e estude com o Estado, com o Legislativo Estadual, com a sociedade civil, outras alternativas que não sejam as propostas lá, de provocar um profundo sofrimento à população. Mais uma vez, quero parabenizá-la pela sua atuação, pela sua sensibilidade e pelo seu compromisso com a cidade de Varginha e com Minas Gerais. Obrigada.

A deputada Geisa Teixeira – Obrigada, Deputada Marília, por ser essa mulher aguerrida, defendendo a sua região, a região metropolitana e o povo de Minas Gerais. O meu tempo já terminou e agradeço ao presidente o tempo cedido. Muito obrigada.

* – Sem revisão da oradora.



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