Pronunciamento

Discurso

Autor:
DEPUTADO DOUTOR JEAN FREIRE

Data: 03/02/2016   Hora: 14:00


Partido:
PT


Tipo:
Discurso


Resumo:
Comenta os problemas sociais dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri e a situação precária da Rodovia BR - 367 que liga o Município de Diamantina ao Estado da Bahia.


Assunto:
DESENVOLVIMENTO REGIONAL.
TRANSPORTE.


Reunião:
Tipo: ORDINÁRIA Número: 2 ª Data: 03/02/2016 Hora: 14:00


Legislatura: 18 ª Sessão Legislativa: 2 ª Tipo da Sessão: ORDINÁRIA


Publicação: Diário do Legislativo em 13/02/2016 Pág: 9 Col: 1


2ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 3/2/2016

Palavras do deputado Doutor Jean Freire



O deputado Doutor Jean Freire* – Sr. Presidente, caros colegas deputadas e deputados aqui presentes, senhores telespectadores da TV Assembleia, boa tarde.

Primeiramente, presidente, gostaria de dar as boas-vindas a todos os deputados e deputadas. Espero que este ano seja muito produtivo, que possamos deixar mais de lado as discussões político-partidárias e ideológicas e que usemos este ambiente para fazer propostas e discutir ações que ajudem este estado e ajudem o Brasil a se desenvolver. Creio, presidente, que é isso que as pessoas que estão nos assistindo esperam de nós.

Antes de começar o assunto de que vim tratar, quero fazer coro à fala do companheiro deputado Carlos Pimenta, no que diz respeito a contratação. É sabido que a Comissão de Saúde já se reuniu algumas vezes, e me parece que hoje também esse assunto vai ser tratado com os concursados; apoiamos, sim, que os concursados sejam chamados. Gostaria de comunicar, deputado Carlos, que, no próximo dia 16, teremos uma reunião na Secretaria de Saúde para tratar desse assunto.

Presidente, caros amigos, com muita honra pertenço ao PT, ao qual sou filiado, e é o único partido a que fui filiado em toda a minha vida. Acho que a função dos deputados, independentemente de ser de governo ou de oposição, é colaborar. Uma oposição que trabalha de maneira séria, consistente, pode muito ajudar qualquer governo a melhorar, a andar mais, a governar este estado, a governar este país. Acho que isso é papel de todos nós. Não subo aqui para tecer críticas. Não é um discurso.

Há um ano exatamente, eu fazia nesta tribuna meu primeiro discurso, e quem estiver revendo esse discurso pode achar que vou dizer as mesmas coisas, porque os problemas que vou relatar continuam os mesmos, então o discurso vai ser não uma repetição, mas uma insistência, uma insistência de um deputado que representa este estado e que, sobretudo, defende e representa uma região que sempre ficou à mercê, uma região que menos se desenvolve neste estado. Isso é histórico.

Quero falar sobre o Vale do Jequitinhonha, o Mucuri e o Nordeste de Minas Gerais. Muitas vezes alguns até confundem e falam que somos do Norte: “Ah, vocês são do Norte, gosto muito do povo do Norte”. Eu também gosto, mas Jequitinhonha e Mucuri são Nordeste de Minas Gerais.

Já é esse o primeiro equívoco de alguns que não conhecem a região, o equívoco de muitos que lá só aparecem de quatro em quatro anos. Muito se falava que o desenvolvimento não acontecia por falta de representatividade política. É verdade, pois essas duas regiões sempre tiveram pouca representatividade; e o Vale do Jequitinhonha, então, nenhuma, nos últimos anos. Agora, ele tem representatividade. Sou o único deputado da região que lá mora e cria seus filhos e para lá retorna, fazendo um percurso de 750km toda semana – vou e volto toda semana. Digo e repito sempre para não esquecer das mazelas que aqui tratava há um ano e das quais agora trato novamente neste espaço.

Essa região já foi conhecida por sua produção de diamante, por sua produção de ouro, por ter uma das maiores dragas do Brasil, a Tijucana, tirando nossas riquezas e deixando a destruição, uma contaminação histórica no Rio Jequitinhonha. Ainda hoje há muita contaminação no que diz respeito, por exemplo, à plantação de eucalipto. Aviões espalham remédio nas plantações, e esse veneno desce para o lençol freático, para o rio; os peixes estão com tumores. Pode estar aí a explicação para isso. Como profissional da área de saúde, vimos notando que está aumentando o índice de neoplasias na população da região, e também a explicação pode vir daí. Não estou aqui fazendo acusações, mas pode ser isso.

No Vale do Jequitinhonha temos a represa de Irapé, que foi construída como sendo a redenção da região, mas isso não aconteceu, pois ela não levou sequer o asfalto para se chegar até lá. É considerada a mais alta do País. Já tivemos uma das cidades mais ricas do País na produção de ouro e diamante. Como já disse, temos a maior monocultura de eucaliptos da América Latina, entretanto temos o menor desenvolvimento.

Aquela região já está cansada de estudos, de diagnósticos. São vários os doutores que, a vida inteira, frequentaram o Vale para fazer estudos. Costumo sempre dizer que o povo do Vale está precisando estudar e não ser estudado. Se eu trouxer aqui, presidente e caro companheiro Rogério Correia, as teses já desenvolvidas sobre a região, não haverá espaço para colocá-las, pois há muitos estudos feitos. E, muitas vezes, essas teses nem chegam até o povo.

Ontem ouvi aqui o companheiro Isauro Calais falar sobre a Zona da Mata, onde a chuva chegou em setembro trazendo destruição para alguns locais; e disse a ele que a chuva, no Jequitinhonha, chegou em janeiro. Lá somos acostumados a conviver com a seca por 11 meses e, quando muito, com um mês de chuva; temos uma alta concentração de chuva em pouco tempo.

Essa região convive com a seca, que no ano passado foi uma das maiores da história. Faltou água em Medina, que era abastecida por caminhão-pipa de Itaobim; faltou água na cidade de Rubim, em Santa Maria do Salto. Também faltou água em Chapada do Norte para o povo beber, mas não para plantar eucalipto. Existe lá uma represa maravilhosa para molhar o eucalipto, mas não há água para beber. Na comunidade de Lelivéldia, onde caminhões-pipa molhavam estradas para caminhões de eucalipto passarem, não havia água para beber. Eu presenciei isso. Faltou água em muitas comunidades rurais de Itaobim e Araçuaí, em Rubelita, em Itinga, cidade que nem é margeada por um rio, e sim cortada. E isso não se deve à falta de chuva, mas sim à falta de gestão. Temos de questionar essa situação com o intuito de ajudar este estado a melhorar cada vez mais.

Eu presenciei há pouco uma conversa do companheiro Antônio Jorge, quando apresentava propostas ao secretário de Saúde. Isso é oposição consciente. Não basta chegar e atacar, atacar e não apresentar propostas. Todos nós aqui temos nossas oposições. Certamente, cada deputado tem sua oposição nas suas cidades, nas suas regiões. Mas ficamos tristes ao ouvir pessoas dizerem que sabem o que fazer e não querem ensinar. Vemos isso sendo postado em redes sociais. Todos os deputados enfrentam essa situação em suas bases, veem a oposição querendo cada vez mais o pior. Este deputado e muitos outros sempre responderão a essas paixões de ódio – porque isso também é um tipo de paixão, Rogério – com paixões de alegria, de amor, de contribuição, que é outro tipo de paixão da qual prefiro me alimentar.

A BR-367 apresenta uma situação histórica: ela foi idealizada e criada há mais de 60 anos pelo presidente JK. Aliás, este salão onde estamos leva o nome dele. Esse presidente da República também era do Vale do Jequitinhonha. Nós já tivemos presidente da República! Mas ainda somos a região que menos se desenvolve neste estado. Já estamos cansados de ouvir que a BR será asfaltada. Tenho 44 anos, cresci ouvindo que essa estrada seria asfaltada. Cada governo que entrava fazia uma promessa. Ela foi criada com o nome de estrada definitiva. Tenho medo de que ela fique definitivamente sem asfalto. Foi criada para unir o Nordeste mineiro ao Nordeste brasileiro, para unir duas cidades que são patrimônio histórico da humanidade: Diamantina e Porto Seguro. Ainda hoje temos um trecho de 200km sem asfalto, e a parte asfaltada está em péssimo estado de conservação.

Tive oportunidade agora, no recesso parlamentar, de conhecer o Nordeste brasileiro. Fui dirigindo para conhecê-lo. O percurso era de mais de 1.700km, e fiz questão de percorrê-lo dirigindo. Vi as transformações pelas quais o Nordeste brasileiro passou nos últimos tempos. Isso fica claro quando as pessoas da região falam. Não vi uma estrada sequer, de Olinda ao Vale do Jequitinhonha, com tamanho descaso. Não vi, presidente, uma estrada com tantos buracos e tantos acidentes. Ao entrar no Vale do Jequitinhonha, começavam os buracos da BR-116. A ponte de Itaobim, na semana passada, tinha um trânsito de mais de 5km de um lado e do outro. Havia caminhões de eucalipto, deputado Rogério, em cima da ponte, transportando, muitos certamente, além da carga permitida.

Sr. Presidente, quando chegamos aqui, pensamos que 15 minutos dariam para falar muitas coisas. Não falei a terça parte do que gostaria de dizer, mas queria convocar os caros colegas deputados, todos que tiveram votos naquela região, deputados estaduais e federais, a somarem força pela região. Agora que a chuva veio, não nos esqueçamos de que serão 11 meses de seca. Não podemos nos esquecer disso. Convido todos os prefeitos, todas as entidades, independentemente de sigla partidária, a juntarmos forças, presidente – já concluindo –, para lutar para que o Vale do Jequitinhonha não seja mais lembrado como o vale da miséria.

Certa vez perguntaram ao saudoso D. Enzo se o Vale era esquecido por Deus. Ele disse que era esquecido pelos homens. Que ninguém mais – para terminar de fato – ouse duvidar que o povo do Vale não quer que os outros falem por ele, não estou aqui falando por ele, quero que a voz dele seja ouvida.

Um abraço. Muito obrigado a todos os companheiros.

* – Sem revisão do orador.



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