Pronunciamento

Discurso

Autor:
DEPUTADO DOUTOR JEAN FREIRE

Data: 13/10/2015   Hora: 14:00


Partido:
PT


Tipo:
Discurso


Resumo:
Parabeniza o deputado João Leite pelo transcurso do seu aniversário de nascimento. Comenta a situação precária das rodovias estaduais que cortam o Vale do Jequitinhonha e solicita apoio do governador para solucionar os problemas.


Assunto:
HOMENAGEM.
TRANSPORTE.


Aparteante:
ROGÉRIO CORREIA, CRISTIANO SILVEIRA


Reunião:
Tipo: ORDINÁRIA Número: 82 ª Data: 13/10/2015 Hora: 14:00


Legislatura: 18 ª Sessão Legislativa: 1 ª Tipo da Sessão: ORDINÁRIA


Publicação: Diário do Legislativo em 17/10/2015 Pág: 22 Col: 1


82ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 13/10/2015

Palavras do deputado Doutor Jean Freire


O deputado Doutor Jean Freire* – Sr. Presidente, caros colegas deputados e deputadas, telespectadores da TV Assembleia, primeiramente gostaria de me dirigir ao deputado João Leite para parabenizá-lo por seu 60º aniversário: que Deus lhe dê muita paz, alegria e sabedoria.

Mas venho a esta tribuna para tratar, inicialmente, de assunto relativo a minha região, o Vale do Jequitinhonha, que o deputado Rogério Correia conhece muito bem. Nesta semana estive mais uma vez no Vale participando da festa das crianças e de Nossa Senhora do Rosário, tradição da região, nas cidades de Araçuaí e de Chapada do Norte. Aproveito para deixar um grande abraço ao povo dessas cidades, agradecendo a oportunidade de participar dessa festa, que mantém viva a cultura do povo. Mas, mais uma vez, para chegar ao Vale do Jequitinhonha, passei por estradas de terra, pois a LMG-677 nunca entrou no Caminhos de Minas, embora há décadas aguardemos isso. Por isso, solicito ao nosso governador que desta vez aquela região e aquele povo sejam olhados.

Também não poderia deixar de comentar a fala do colega que me antecedeu. Pensei que iríamos acabar com isso, pois acho que o povo que nos assiste espera mais de nós, mas hoje, logo de manhã, os noticiários trataram da postura do juiz do Supremo em relação a essa ideia de golpe no Brasil, e vejo que a raiva cresce ainda mais: se não conseguimos estabelecer o golpe em âmbito nacional, vamos tentar estabelecê-lo no Estado. Então, deputado Cristiano Silveira, quero fazer uma solicitação a todos deputados desta Casa, por intermédio de suas lideranças: deixem o homem trabalhar. Vocês mesmos falaram que ele está lá há exatamente 10 meses; então, deixem o homem trabalhar.

Um deputado perguntou há pouco sobre a razão de estarmos sempre nas capas de jornais e revistas. Talvez essa seja a resposta: em 10 meses, o governo tem 73% de aprovação popular. Ele está indo às regiões, ouvindo as pessoas nos fóruns de governo e dando retorno a suas demandas. É isso o que o nosso governo está sabendo fazer. O deputado Rogério Correia tem acompanhado os fóruns e sabe que a população está comentando que agora está sendo ouvida. Essa foi uma proposta de campanha que o governo mantém agora, e talvez seja por isso que estamos nas páginas dos jornais, já que isso está incomodando algumas pessoas. Então, solicito novamente: deixem o homem trabalhar. Na prefeitura de Belo Horizonte, Fernando Pimentel provou que sabe, quer e tem vontade de fazer. De fato, fez muito por Belo Horizonte, e tenho certeza de que é com essa mesma vontade que ele vai fazer muito pelo Estado de Minas Gerais. Concedo aparte ao deputado Rogério Correia.

O deputado Rogério Correia (em aparte)* – Deputado Doutor Jean Freire, primeiro quero parabenizá-lo pelo trabalho que V. Exa. vem desempenhando no nosso querido Vale do Jequitinhonha.

O Vale do Jequitinhonha estava precisando de um deputado de lá, próprio da região, nascido e criado lá. V. Exa. foi vereador lá. Nas minhas idas até lá só ouço falar bem de V. Exa, que deu ao Jequitinhonha uma unidade importante, para estar representada na Assembleia Legislativa com os temas mais diversos do nosso Vale: a cultura, a água ou a falta dela e as ações de política pública. O Vale do Jequitinhonha a gente guarda no coração, a sua cultura, aquela gente de que todo mineiro gosta. Mas o Vale do Jequitinhonha é também aquele Vale que vota na Dilma, que votou e derrotou Aécio Neves.

Quando vejo alguém falar em nome dos mineiros, sempre me lembro da figura do senador Aécio Neves. Ele tinha essa mania: falava em nome dos mineiros. Ele chegou a dizer que teria em Minas Gerais 4 milhões de votos a mais que a presidente Dilma. Disse ainda que Pimenta da Veiga ganharia aqui, no primeiro turno, sem fazer força. E até hoje eles querem falar em nome dos mineiros.

Na verdade, Minas Gerais elegeu outro projeto. É preciso que esses projetos, que são distintos, convivam de forma democrática. Não vai haver golpe. O Fernando Pimentel vai governar, quer queira Bolsonaro lá em cima, Malafaia lá em cima, enfim, queiram ou não, Pimentel vai governar até o final. Não vai haver golpe. Ele vai ser o governador. E V. Exa. lembrou bem: “Ele é bom de serviço”. A tendência é que ele seja reeleito, que a gente tenha oito anos com Pimentel. Tomara! Minas precisava disso. Mas isso é um trabalho que vai depender do que ele faz, do que a gente faz, e não de golpe. Não é possível que tenhamos terceiro turno, quarto turno, quinto turno!

Aliás, uma boa notícia: o STF acabou com o golpe do Cunha e do Aécio lá, em Brasília. Rosa Weber e o Teori Zavascki disseram que não pode ser daquela forma. Claro, nós vivemos num país democrático, não numa republiqueta de bananas. Então, qualquer presidente da Câmara que brigar com a presidenta da República não pode achar que vai derrubá-la da noite para o dia. O Supremo já disse: “Não pode, não é assim. O Brasil é democrático; não se pode dar golpe. Isso foi em outra época, quando a UDN ainda existia formalmente”. E hoje o Teori Zavascki e a Rosa Weber botaram os pingos nos “is” e disseram: “Não. Não é assim. Calma lá”.

Provavelmente o Cunha deve ir para a cadeia mais cedo ou mais tarde. Deve sair da presidência da Câmara agora, porque está provado que ele pegou dinheiro na Suíça, abriu conta para a mulher dele ter aula de tênis. Foi tudo provado. Tem assinatura dele. Tem tudo. Então ele deve cair, e nós vamos voltar à normalidade política, fazendo os embates democráticos naturais. Eu estou aqui para dizer isto: não vai haver golpe. É melhor que a gente conviva democraticamente; é melhor que os projetos políticos convivam democraticamente, e não se insista em golpe.

Terceiro turno, quarto turno. Vou falar sobre isso para terminar. No fim da semana passada, o líder do PSDB, aquele que tinha pedido para fazer a recontagem dos votos e depois a verificação das urnas, chegou à conclusão, depois de um ano, que a eleição não teve fraude. E aí anunciou: “Não teve fraude”. Demorou um ano para fazer a recontagem do PSDB. Feito isso, derrubada essa hipótese de que houve fraude, ele passa para outra hipótese. Tem de derrubar a presidenta, porque o Cunha quer, porque a presidente não está bem na opinião pública, porque quem manda aqui é o PSDB, por causa disso ou daquilo. Não. Não é assim que funciona. Agora nós vamos ter a normalidade democrática. É assim que funciona. Nós ficamos aqui 12 anos. Eu fiz críticas políticas severas, radicais ao governo do PSDB. Vou hoje ao Ministério Público fazer outra referente àquele empréstimo que pegaram, aprovado pela Assembleia, para entregar dividendos – vejam se pode isso – à Andrade Gutierrez. Eu fiz várias críticas. Agora, ficar em terceiro turno, em quarto turno? Não.

Em 2018 haverá eleições novamente. Concorrerá o Lula, concorrerá o Alckmin. O Aécio, se quiser, virá a Belo Horizonte concorrer com o Pimentel. Não é assim que funciona? E V. Exa. vai ser reeleito no Vale do Jequitinhonha, porque tem feito lá um belo trabalho.

Parabéns pelo seu trabalho! Vamos discutir Minas. Concordo com V. Exa.: Pimentel começou um bom trabalho. Está no início, mas muitos vão se surpreender, como eu me surpreendi em Belo Horizonte. Ele vai ser muito bem avaliado ao final de quatro anos, mais até do que nós próprios, do PT, esperamos. E se tivermos a oportunidade de obter, humildemente, os votos dos mineiros novamente, tenho certeza de que serão oito anos de muito crescimento em Minas. Parabéns!

O deputado Doutor Jean Freire* – Com certeza. Também acredito nesse empenho, nessa vontade do governador. Ele sabe fazer. É um homem, um governante que mostrou isso aqui e vai mostrar para Minas Gerais.

V. Exa. lembrou bem, deputado. Se querem realmente fazer a Operação Mãos Limpas, que se investiguem todos, todos os que foram citados. Até agora não vi a presidenta Dilma ser citada na Operação Lava Jato, mas outros que sim. Então, vamos fazer com todos. Aí, sim, os guardiões da ética, que se mostram tanto guardiões da ética, vão estar cobertos de razão ao subirem aqui para pedir investigação sobre o Eduardo Cunha porque saiu numa revista ou num jornal; ao subirem aqui para pedir investigação sobre o ex-governador, sobre um senador da República. Aí, sim, é querer realmente ser ético, querer realmente uma Operação Mãos Limpas.

O deputado Cristiano Silveira (em aparte)* – Obrigado, deputado Doutor Jean. Quero também cumprimentá-lo pelo trabalho que vem realizando nesta Casa. É curioso como, na Assembleia, o discurso é muito do momento. Há uma discussão que foi apresentada em forma de denúncia contra o governador Fernando Pimentel – governador que, em poucos meses, já mudou Minas Gerais. Governador cuja presença tivemos aqui quando da votação do plano dos professores do magistério, que tiveram acesso liberado pelo presidente Adalclever Lopes. Professores que invadiram esta Casa para dizer a nós, deputados, naquele momento da votação, os mais velhos, que achavam que iam morrer sem ver o momento em que Minas pactuaria o pagamento do piso. Vimos isso, vimos ser aprovada nesta Casa uma série de medidas importantes. É um governo que tem trabalhado, tem ouvido as pessoas. Hoje mesmo participei, deputado, junto com os secretários Nilmário Miranda e Glênio, do I Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais. O governo traz para serem protagonistas dele os índios, os quilombolas, ao raizeiros, os geraizeiros, ou seja, é um governo para o povo, é um governo de diálogo. Quanto mais Fernando Pimentel vai acertando – e as pesquisas que V. Exa. citou mostram isso –, mais a oposição fica irritada e incomodada. No momento oportuno, as coisas vão se esclarecer, sabemos disso.

Sabemos a disputa política que se faz em cima das manchetes de jornais. É uma pena que não haja um jornal ou a capa da revista Veja questionando Eduardo Cunha, por exemplo, que, entre as várias medidas que vem tomando contra o Brasil, teve o apoio inconsistente do PSDB na Câmara. Agora o PSDB faz uma nota tímida dizendo que não, que o Cunha, inclusive, deveria afastar-se para ter amplo direito de defesa. Esse mesmo Cunha que recebe os processos de impedimento da presidenta Dilma com o apoio do PSDB; esse mesmo Cunha que tem conta na Suíça, depois de ter dito na CPI da Petrobras que não tinha conta fora do Brasil, e tem conta na Suíça – alguns milhões –, esse mesmo Cunha continua herói para a revista Veja e outros meios de comunicação.

Então, a presidenta Dilma não tem avião; a presidenta Dilma não tem jato; a presidenta Dilma não tem apartamento em Paris nem conta na Suíça; a presidenta Dilma não tem aeroporto. A presidenta Dilma, como V. Exa. bem lembrou, não está indiciada na Lavajato. Então, por que querem o impedimento da presidenta Dilma? Porque não aceitaram a derrota até hoje, deputado Doutor Jean. O menino pirracento... Lembra quando a gente era criança, sempre havia um coleguinha pirracento e dono da bola? Se ele não jogava, punha a bola debaixo do braço e falava: “Agora não vai ter mais jogo porque não quero”. É isso o que as pessoas têm de compreender, e a oposição tem de compreender: perdeu a eleição, espere 2018. O Cunha tem de entender que o regimento não é a bola dele e que, quando o resultado não for da forma como ele gostaria, não vai haver jogo, está errado. É por isso que o Supremo, na minha opinião, faz uma justiça à democracia neste país quando diz que não, que os trâmites têm de ser os regimentais e não a bel-prazer num momento de raiva e passionalidade de Eduardo Cunha, presidente da Câmara.

Então nós sabemos: o Brasil vai se encontrar, vai se arranjar. O que tem de haver? A aceitação da derrota democraticamente por aqueles que perderam e parar um pouco com esse ódio todo contra o PT. Essas coisas que ficam alimentando, e ficamos vendo cenas como aquelas: velórios de petistas com gente indo lá, induzida e aplaudida sabe-se lá por quem, para fazer esse tipo de ato. Não, o que queremos é um País com a democracia sólida, madura e, acima de tudo, respeito entre as diferenças.

Obrigado pelo aparte, deputado Doutor Jean.

O deputado Doutor Jean Freire* – Obrigado, deputado Cristiano, que realiza um belo trabalho nesta Casa, na sua região e em todo o Estado de Minas Gerais.

Sr. Presidente, na verdade, a oposição é muito importante para um país. Considero que uma oposição séria e equilibrada tem muito a contribuir, e acho que está passando da hora de ajudar a contribuir, mas não vai ser desse jeito que ela vai ajudar a contribuir.

Espero muito deste governo, espero muito do governador Fernando Pimentel, e gostaria de usar este espaço para solicitar ao nosso governador um olhar diferenciado para o Vale do Jequitinhonha. Esperamos um olhar diferenciado para esse Vale, que sempre foi deixado de lado pelo governo do Estado. Está passando da hora. Não aguentamos mais, ainda hoje, termos de trafegar naquela estrada de Belo Horizonte ao Médio Jequitinhonha, passando pela LMG-677. E há a questão da estrada federal também. É outra luta nossa, que devemos cobrar. Há poucos dias a população colocou fogo numa ponte da BR-367, como sinal de que chega, basta, não dá para aguentar mais isso.

* – Sem revisão do orador.



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