Pronunciamento

Discurso

Autor:
DEPUTADO DOUTOR JEAN FREIRE

Data: 17/09/2015   Hora: 14:00


Partido:
PT


Tipo:
Discurso


Resumo:
Comenta a reação dos partidos adversários do Partido dos Trabalhadores - PT - diante dos resultados das eleições do ano de 2014. Transcurso do 100º aniversário de emancipação Política do Município de Aimorés. Comenta os problemas causados pela monocultura do eucalipto no Vale do Jequitinhonha.


Assunto:
AGROPECUÁRIA.
CALENDÁRIO.
DESENVOLVIMENTO REGIONAL.
ELEIÇÕES.


Aparteante:
CELISE LAVIOLA.


Reunião:
Tipo: ORDINÁRIA Número: 74 ª Data: 17/09/2015 Hora: 14:00


Legislatura: 18 ª Sessão Legislativa: 1 ª Tipo da Sessão: ORDINÁRIA


Publicação: Diário do Legislativo em 30/09/2015 Pág: 84 Col: 1


74ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 17/9/2015

Palavras do deputado Doutor Jean Freire


O deputado Doutor Jean Freire* – Presidente, caros colegas deputados e deputadas, telespectadores, é um prazer imenso ocupar esta tribuna mais uma vez. Dou as boas-vindas e parabenizo os estudantes de jornalismo da PUC. Que cada dia mais possamos ter uma mídia isenta de siglas partidárias e que busque a verdade acima de tudo. Sejam bem-vindos a esta Casa. Inclusive, haviam me convidado para conversar com vocês, mas eu tinha uma viagem para Aimorés e não pude participar. Um grande abraço.

Um grande abraço também aos companheiros do Vale do Jequitinhonha que estão presentes para discutir o transporte de eucalipto na região dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri.

Na verdade, gostaria de tratar da questão do eucalipto, mas não dá para ficar ouvindo, ouvindo, ouvindo e permanecer calado. Quando se fala em romper o acordo, é isso. O acordo é o seguinte: a oposição pode falar, falar, xingar, reclamar e chorar à vontade, mas nós, do governo, devemos ficar calados. Não dá. E, quando falamos, quando tentamos expressar o que pensamos, alguns companheiros deputados alardeiam que vão romper o acordo. Em um país democrático, em uma sociedade democrática, podemos falar e temos todo o direito de falar à vontade. Mas também devemos ouvir, o que talvez seja uma das virtudes mais belas que existe. Precisamos saber ouvir, é muito importante. Falar também é importante, e, quando uma oposição quer, mesmo falando, e principalmente falando, ajuda muito a governar. Quando quer.

É esse o convite que faço. Já estamos chegando a um ano de eleição, e parece que foi ontem. É normal, caro companheiro Rogério Correia, a eleição ter acontecido ontem, e hoje, quem perdeu, estar descontente e, na ansiedade, na emoção, falar algumas coisas, não aceitar o resultado e nos primeiros dias entrar com pedido de processo. Isso é normal, e aceitamos. Mas passar um ano de processo eleitoral sem aceitar o resultado democrático das urnas, não há como. Não podemos ficar calados. É isso que a sociedade espera de nós.

A sociedade espera que a gente suba à tribuna para discutir os problemas que a afligem. Então, não podemos nos calar diante dessa situação, e é por isso que faço esse desabafo.

Há poucos dias, meu filho Pedro, de 8 anos, me perguntou se o Aécio tinha perdido a eleição para a Dilma no primeiro turno. Sim, meu filho. “Perdeu também no segundo turno?” Sim. “E por que eles não param de falar nisso? Por que não param de falar em impeachment, como vejo na televisão, nos jornais e na manifestação?” Diga-se de passagem que, em um País com 100 milhões de negros, não se veem negros na manifestação. Se compararmos as duas manifestações – a dos movimentos sociais e a que se fez para solicitar o golpe -, veremos a diferença estampada nos cartazes. Em um cartaz, o ódio está característico; ali se saliva ódio. No outro, não. Nós questionamos; temos a capacidade de fazer autocrítica e de dizer o que achamos que está errado. Acho, deputada Celise Laviola, que talvez esse seja o ponto que mais dói: aquele que nós mesmos apontamos em nossa autocrítica. Sabemos o momento em que estamos o vivendo. Sabemos que o País está atravessando uma crise, que se iniciou nos bolsões do capitalismo. Aliás, este país só não chegou a essa crise antes porque foi preparado para isso e pensou nos pequenos.

Estão aqui algumas pessoas do Vale do Jequitinhonha, e aproveito para solicitar a elas que, quando alguém da oposição for falar, deixem que fale; não vaiem. Até porque a vaia também é um tipo de manifestação de quem não tem razão e reflete a intolerância que, no dia a dia, está incrustada nas pessoas. Então, solicito a vocês que deixem que falem quando for o momento deles.

Mas, meus amigos, um ano se passou, e não aceitaram o resultado das urnas. Então, meu filho, se você está me escutando neste momento, é isso o que acontece: não aceitam o que o povo decidiu de maneira democrática; não aceitam as conquistas que este país fez. Erramos, sim, mas o que lhes dá ódio não são os erros do PT. Muitos falaram aqui que querem ajudar o governo a governar, que querem ajudar. Não; há muitas pessoas aqui e no País que querem o quanto pior, melhor. Mas muitas pessoas da oposição, com seriedade, são contra esse golpismo que se quer instalar. Logo que cheguei a esta Casa, depois de ver algumas manifestações e ouvir alguns companheiros falarem em golpe, eu ainda ponderava. Mas, o tempo vai passando, e não dá para pensar diferente: é isso o que querem, sim. Então, conclamo toda a sociedade a pensar bem. A presidenta que aí está chegou a esse lugar pelo voto popular; essa presidenta que aí está foi presa para que este país tivesse liberdade. É bom que cada um de nós pense nisso, também vocês do Vale e estudantes de comunicação, que estão aqui. E temos de fazer esse papel no dia a dia, pois essa também é nossa função. Temos de nos perguntar o que eles querem de fato. Será que realmente estão preocupados com a investigação? Será que é realmente com isso que estão preocupados, minha gente? Vamos pensar nisso. Se essa fosse sua preocupação, será que estariam falando tanto o que estão falando por aí? Pensem bem: dinheiro usado por uma determinada empresa para a campanha do Partido dos Trabalhadores é sujo; mas dinheiro usado pela mesma empresa para outro candidato é honesto? Será que conseguiram nas igrejas, nas quermesses; fizeram vaquinha, pediram aos cristãos? Isso é dinheiro limpo, é dinheiro sagrado, mas o que é doado ao PT pela mesma empresa, não?

A presidenta Dilma não foi citada nessa investigação. Existe um presidenciável que foi citado, o mesmo que disse, num deslize, que o partido dele é o maior partido de oposição ao País; o mesmo que disse, após uma convenção, que estava sendo reeleito à presidência da República; o mesmo que, há poucos dias, disse, no Rio de Janeiro “nós, cariocas”; o mesmo que disse que, com certeza, nesses meses após a eleição, fez muito mais voo para o Rio de Janeiro do que para o Estado de Minas Gerais.

Então, Sr. Presidente, não daria para deixar de desabafar esse assunto. Quero tratar de outros assuntos. Vocês tiveram tempo suficiente para xingar este governo. Ainda vou entrar no tema e concederei o aparte, sem problema nenhum. Como pedi ao pessoal, não tenho problema em ouvir. Só entrarei em outros assuntos aqui.

Primeiramente, Sr. Presidente, quero parabenizar Aimorés, que, na próxima sexta-feira, fará 100 anos de emancipação política. Tive a felicidade e o prazer de ser votado nessa cidade onde obtivemos por volta de 1.300 votos. Sou o 2º deputado mais bem votado nessa cidade, que fica próxima ao Espírito Santo. É uma felicidade imensa. Daqui a pouco, estarei deslocando-me até lá para compartilhar e participar com os seus munícipes essa data importantíssima.

Concedo aparte à deputada Celise Laviola, que, acredito, tratará da questão de Aimorés.

A deputada Celise Laviola (em aparte) – Exatamente. Quero parabenizá-lo, Doutor Jean, e dizer que a nossa querida Aimorés está fazendo 100 anos. Estaremos lá. O nosso Vale do Rio Doce tem a nossa princesinha do Vale, a nossa Aimorés, como um município muito especial. É um lugar muito especial, e V. Exa., se tiver oportunidade, poderá, juntamente comigo, ver como as pessoas de lá são receptivas, carinhosas e amáveis. Imagino que são 100 anos de uma cidade realmente iluminada, onde nos sentimos bem, o povo é acolhedor, e onde estou desde que nasci. Acredito que V. Exa., Doutor Jean, não vai querer sair de lá também. Parabéns! Um grande abraço para todo o nosso povo de Aimorés.

O deputado Doutor Jean Freire* – Obrigado, deputada. V. Exa. é majoritária naquela cidade, onde tive a felicidade de ser o 2º colocado. E diria felicidade também de ter V. Exa. como 1ª colocada. Certamente nós dois, juntos, podemos trabalhar também por aquela região, que está ali incluída naquela região dos três vales, os vales irmãos.

Esse é o principal motivo que me trouxe a esta tribuna, tecer alguns comentários sobre a região do Vale do Jequitinhonha, de onde venho, como também é o motivo para essas pessoas estarem aqui hoje.

Sr. Presidente, é sabido por todos que o plantio de eucalipto naquela região a cada dia tem tomado proporções imensas. É uma região que vive com falta d'água. Na verdade, o povo aprendeu a conviver com a falta de água, com a seca. Esse é o palavreado: conviver com a seca. E o plantio de eucalipto vem diminuindo cada dia mais as nossas nascentes. Em algumas cidades temos água para plantio de eucalipto, mas não temos para consumo humano. É o caso, por exemplo, da cidade de Chapada do Norte.

Hoje fizemos uma audiência para tratar do transporte do eucalipto no Vale do Jequitinhonha, no Mucuri. Na semana passada, retornando à região, me deparei com uma manifestação na Comunidade Lelivéldia. Aliás, gostaria de parabenizar as lideranças, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de todas as comunidades aqui presentes. Vieram para esse fim aqui hoje, participar da audiência que fizemos agora pela manhã.

Como dizia, deparei-me com a ocupação naquela via porque um dia antes um jovem migrante foi vitimado. O jovem tinha saído da região para trabalhar, voltou, pagou as contas da família com o dinheiro que tinha recebido fora e comprou uma caixa de bombom para levar para a mãe. Porém, ele não conseguiu chegar até sua mãe - presidente, peço mais 1 minuto para concluir -, ele foi vitimado num acidente por uma carreta que transportava eucalipto. Essa comunidade, de maneira justa, fez aquela manifestação...

Já estou encerrando, Sr. Presidente. Então, a comunidade fez aquela manifestação contra uma empresa que está explorando, sendo que nenhuma riqueza fica ali.

Acho que, de certa maneira, vocês voltam atendidos porque viram que nem autorização aquela empresa tinha para transportar eucalipto ali.

Gostaria de falar mais sobre isso e peço desculpas por ter entrado em outros assuntos, mas o tema era o problema dos eucaliptos. Saibam que continuaremos firmes e combatentes em relação a isso. Muito obrigado.





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