Pronunciamento

Discurso

Autor:
DEPUTADO DILZON MELO

Data: 11/06/2014   Hora: 14:00


Partido:
PTB


Tipo:
Discurso


Resumo:
Comenta o pronunciamento do deputado federal Newton Cardoso do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB – MG –, na tribuna da Câmara dos Deputados, denegrindo a sua imagem, supostamente, por causa de seu apoio à candidatura de Pimenta da Veiga ao cargo de governador de Estado em detrimento da candidatura de Fenando Pimentel ao mesmo cargo, apoiado pelo PMDB.


Assunto:
LEGISLATIVO.
DEPUTADO ESTADUAL.
ELEIÇÕES.


Aparteante:
DINIS PINHEIRO, LAFAYETTE DE ANDRADA, LUZIA FERREIRA, BONIFÁCIO MOURÃO, BRAULIO BRAZ, CABO JÚLIO, CARLOS PIMENTA, DALMO RIBEIRO SILVA, RÔMULO VENEROSO.


Reunião:
Tipo: ORDINÁRIA Número: 46 ª Data: 11/06/2014 Hora: 14:00


Legislatura: 17 ª Sessão Legislativa: 4 ª Tipo da Sessão: ORDINÁRIA


Publicação: Diário do Legislativo em 17/06/2014 Pág: 33 Col: 1


46ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 11/6/2014

Palavras do deputado Dilzon Melo


O deputado Dilzon Melo – Sr. Presidente, senhores deputados, senhores da imprensa, prezados amigos e funcionários da Casa, todos sabem que não sou muito de usar a tribuna. Todos sabem que prefiro agir dentro do meu gabinete para prestar serviços de que os mineiros precisam. No entanto, hoje, resolvi usar esta tribuna para responder às acusações feitas pelo deputado Newton Cardoso à minha pessoa, porque minha vida pública me justifica muito mais. Na terça-feira passada, ele usou a tribuna da Câmara Federal para fazer acusações a este deputado. Ontem, da mesma forma, o fez, utilizando a tribuna para lançar sobre este deputado, que ele não conhece, várias acusações.

Confesso que, após sua declaração, sentei-me com o advogado e fizemos um discurso a quatro mãos, mas, como dizem os mais antigos, o tempo é um bom conselheiro, e, passados esses dias, resolvi não fazer o discurso que havia sido formulado, mas um outro, totalmente diferente, para mostrar ao deputado e ex-governador Newton Cardoso que sou diferente, que não baixarei o nível nem me igualarei a ele usando a tribuna desta Casa. Quero fazer um discurso de alto nível para mostrar que esta Casa se preocupa com o trabalho, e não com as acusações vãs e falsas feitas.

Listei aqui as acusações que ele formulou e quero respondê-las uma a uma. Para acusá-lo, eu poderia voltar ao discurso feito nesta Casa por Nilmário Miranda em 1989, quando era deputado do PT, partido com o qual hoje ele está fazendo coligação. Para baixar o nível e mostrar realmente quem Newton Cardoso é, basta ler esse discurso. Entretanto, não usarei aqui nenhuma palavra de baixo calão nem vou ofendê-lo, como não fiz a minha vida inteira. Em 35 anos de vida pública, eu, prefeito; ele, governador; eu, com já seis mandatos, não fiz até hoje nenhuma ofensa não apenas a ele, mas também a nenhum cidadão de Minas que veio a esta tribuna, pois acredito que isso não constrói.

Enumerei as acusações feitas e gostaria que os presentes as ouvissem; elas são próprias de Newton Cardoso, mas não deste deputado. Ele diz que sou um desqualificado, mas, na verdade, penso que ele não conhece meu currículo, já que tenho seis mandatos de deputado estadual; fui secretário de Estado, prefeito de Varginha, presidente de comissões desta Casa, presidente do PTB por diversos mandados; e sou formado em curso superior, empresário, cidadão mineiro de mais de 50 municípios e condecorado com todas as condecorações existentes em Minas Gerais. Portanto, não sou um desqualificado, mas, sim, bem-qualificado.

Ele me considera uma figura asquerosa, mas asqueroso é quem cria asco; asquerosa é uma pessoa que se indispõe com todo mundo. Assim, gostaria que o deputado Newton Cardoso perguntasse a seus companheiros de partido se, ao longo desses vinte e tantos anos, o deputado Dilzon Melo é uma figura asquerosa. Gostaria que fizesse essa pergunta ao deputado Adalclever Lopes, ao deputado Ivair Nogueira, ao deputado Vanderlei Miranda, ao deputado Cabo Júlio, ao deputado Leonídio Bouças, ao deputado Tadeu Martins Leite e ao deputado Sávio Souza Cruz, que convivem comigo nesse tempo todo e que são do seu partido. Sou amigo de todos e procuro atender a todos com a maior cordialidade e respeito.

Daí, Sr. Newton Cardoso, essas são inverdades que não colam; são inverdades que o povo sabe avaliar. Da mesma forma, ele disse que sou um político barato, e acho que acertou, pois realmente sou, já que não compro votos, não faço negociatas para me eleger, não faço acordos espúrios. Realmente, sou um político barato; sou daqueles que ainda têm ideologia, acreditam em justiça social e trabalham para apresentar um bom serviço.

Ele disse que eu traí o PTB nacional e chama o meu presidente Benito Gama de amigo. Ora, ele acertou! É melhor chamar o Benito Gama de amigo, porque ele realmente é uma boa pessoa. Seria pior se o chamasse de cúmplice. Porém ele se esqueceu de que o meu partido ainda não fez convenção nacional. Como posso ser o traidor do PTB? Ontem houve convenção do partido, e decidimos apoiar o Aécio, o Pimenta, o Anastasia, como apoiamos o Alberto Pinto Coelho. No dia 27 é que teremos a convenção nacional em Salvador. Confesso que estou muito auspicioso e espero que apoiem o Aécio para presidente do Brasil. Eu não sou um traidor como diz. Ele se considera um homem honrado. Não o questionarei porque nunca disse que ele não era. Quem disse isso foi exatamente o Nilmário Miranda, em 1989. Podem ver o discurso que ele fez nesta Casa. Eu nunca o ataquei nem lhe retribuí com esse predicado de pessoa honrosa. Da mesma forma, digo que, se ele teve suas contas aprovadas, as minhas também foram.

Ele diz ainda que tenho passagem pela Polícia Federal. E realmente tive, para tirar passaporte quando fiz diversas viagens. Quanto a ele eu não sei. Deixo-lhe a sugestão de ir à Polícia Federal e verificar de perto se o deputado Dilzon Melo tem alguma condenação. Não tenho. Outra coisa, governador Newton Cardoso e deputado federal: quem tem 35 anos de vida pública não tem mais adjetivos a serem atribuídos. A vida de quem tem 35 anos de vida pública é um livro aberto. Basta ver o seu conteúdo. Qual é o conteúdo do livro de Newton Cardoso e qual é o conteúdo do meu livro? O que temos são páginas a serem escritas. Isso é um fato. Com 35 anos de política, não há mais nada a ser descoberto. Tudo o que sabem do Newton Cardoso já é público, tudo o que sabem deste deputado já é público.

Confesso que Deus tem sido benevolente comigo, porque já estou no sétimo mandato e nunca perdi uma eleição. Minha votação é sempre crescente, reconhecimento de que os mineiros sabem do meu trabalho. Há outro aspecto: eu não costumo baixar o nível e não farei isso com o Newton Cardoso de forma alguma. Ontem, da mesma forma, ele usou a tribuna da Câmara dos Deputados, como mostra o jornal O Tempo, para fazer acusações a minha pessoa. Não me preocuparei com isso, não lhe darei resposta para que apareça no jornal, porque isso já é um costume. Mas eu não tenho esse hábito e não me curvarei. Ele pode fazer quantos pronunciamentos quiser, porque não me rebaixarei. Quero mostrar-lhe que sou diferente dele, que não faço acusações vãs, não denigro a vida das pessoas. O que temos de fazer nesta vida é ajudar a construir, a fazer algo útil para que amanhã sejamos avaliados e censurados não somente pelas pessoas da Terra, mas também por Deus.

Como cristão me preocupo com o futuro dos meus filhos, da minha família, daqueles que me cercam, daqueles que confiam no meu trabalho. E se vocês da imprensa estão trabalhando por uma causa justa, é bom que procurem saber e analisem quem é Dilzon Melo e quem é Newton Cardoso. Seria muito bom que se fizesse essa avaliação para que vocês pudessem amanhã emitir juízo de valor.

Então, meus amigos, não tenho o hábito de usar esta tribuna, mas venho exatamente para poder combater. Sabem por quê? Porque tenho uma família, tenho eleitores e tenho um filho de 14 anos que não sabe da vida política, não sabe os meandros da vida pública. Tenho outros filhos que já são mais criados, crescidos, com mais idade e que entendem e sabem o pai que têm. Também tenho de me justificar nesta tribuna pela minha esposa, pelo meu filho, que está em casa e que olha sem saber o que fazer e o que responder. Estou respondendo não só a vocês da tribuna, mas também à imprensa e aos meus amigos que estou nesta Assembleia há seis mandatos expondo a minha vida a cada momento para que seja avaliada.

Então, Sr. Newton Cardoso, não faça acusações vãs, porque isso tem reflexo na vida das pessoas. Mais uma vez, parafraseando J.K.: “Deus me poupou do medo”. Portanto, não tenho medo de nada nessa vida, muito menos de Newton Cardoso. Faço a ele o desafio: levante a minha vida. Vá à Polícia Federal, que faz um bom trabalho, que é justa, que corre atrás e que representa a sociedade brasileira. Vá atrás, Sr. Newton Cardoso, e levante naquela polícia o que há sobre Dilzon Melo. Levante junto com os mineiros. Outra coisa posso dizer: os lustres e os cristais que tenho na minha casa e na minha fazenda foram comprados e pagos com o meu dinheiro.

Não sou corrupto, não compartilho de corrupção, não faço negociatas, não me locupleto de dinheiro público. Por isso quero deixar bem claro esta situação: honro os meus compromissos. Nunca fui acusado, mas devia essa satisfação. Muitos amigos nesta Casa que aqui estão, como Dalmo Ribeiro Silva, Braulio Braz e Jayro Lessa, me disseram: “Dilzon, usar a tribuna para repelir e para rebater? Não faça isso, é bobagem”. E eu disse a eles: “Tenho o dever moral de fazê-lo pela minha família, pelos meus amigos e pelos meus eleitores”. Mas não farei mais, porque não quero me rebaixar mais, não quero me igualar a esses que acusam sem prova. Não quero ter uma página negra no livro que tenho escrito depois de mais de 35 anos de vida pública.

Quando aqui...

O presidente (deputado Dinis Pinheiro) – Deputado Dilzon Melo... Ele ainda não terminou para as pessoas educadas e compreensivas. Respeitem esta Casa. Fiquem. Estou vendo ali tantos senhores e senhoras que vieram aqui buscar a sua demanda de forma respeitosa, com apreço e cordialidade, então, vamos aplaudir. Isso é bonito. Esta Casa é de vocês, mas é a Casa do respeito e das boas tradições. Agora, estou vendo uma minoria que, lamentavelmente, não é merecedora do nosso respeito. Respeitem esta Casa, sim. Venham para cá, venham trazer sua demanda, venham trazer o seu clamor, venham trazer a sua inquietação, mas respeitando as boas tradições de Minas.

Estou vendo tantos servidores da saúde trazendo, de forma respeitosa, sua demanda. Estou vendo tanto servidores do Judiciário em silêncio, ouvindo atentamente a manifestação de um deputado, de um empregado do povo. Estamos aqui para traduzir em realidade as aspirações de vocês. Estamos aqui para ouvi-los, para tentar contornar, buscar a convergência, a paz social.

Agora, não venham agir de forma desrespeitosa. Peço encarecidamente: vamos ouvir com atenção o deputado Dilzon Melo e todos os outros deputados que porventura quiserem manifestar-se. Manifestação, amigos e amigas, com cordialidade, com respeito, com apreço, deve ser louvada e aplaudida.

A senhora há de me perdoar, Deus ainda haverá de conceder-lhe sábios ensinamentos. Não é dessa maneira que a senhora vai cuidar dos seus filhos. Não é dessa maneira que vai construir uma sociedade melhor. Respeitem esta Casa, comportem-se como o mineiro, que é educado, desprendido, generoso, sabe buscar o seu sonho e sabe indignar-se, mas sempre com respeito.

Gostaria, com todo respeito aos senhores e às senhoras, dizer que esta Casa é de vocês, esta Casa é do povo, mas também é a Casa do respeito, da boa educação e da civilidade. Portanto, peço encarecidamente que todos ouçam, com silêncio e com a devida atenção, o pronunciamento do deputado Dilzon Melo. Após seu pronunciamento, se alguém quiser se manifestar, deverá ser respeitado. Mas peço encarecidamente a compreensão para que o deputado Dilzon Melo possa expressar sua manifestação, neste momento de notável significado para sua vida.

Quero dizer, amigo Dilzon Melo, que, na condição de mineiro, na condição de presidente da Assembleia, sempre falo, que vive um momento especial, sobretudo por essa coletividade, por essa solidariedade comum, por essa construção abnegada de todos os deputados e deputadas, seja da situação, seja da oposição. É a Assembleia de Minas clara; é a Assembleia transparente; é a Assembleia que conversa com todas as classes sociais; é a Assembleia que acolhe a todos com carinho; é a Assembleia que promoveu uma grande cruzada cívica com o Assine + Saúde, buscando e labutando por mais recurso; é a Assembleia que, de forma inédita, acabou com o 14º e o 15º salários dos deputados; é a Assembleia que acabou com o pagamento de reuniões extraordinárias; é a Assembleia que sepultou, de uma vez por todas, o pagamento do auxílio-moradia; é a Assembleia que tem a humildade de ouvir, mas, acima de tudo, que tem uma vontade férrea de aprender.

Portanto, peço encarecidamente respeito, porque estamos aqui para tratá-los com respeito, para promover a convergência, para buscar o acolhimento das suas demandas. Esse é o nosso dever porque somos seus empregados, mas, por favor, peço aqui respeito, obediência e, acima de tudo, cordialidade com o pronunciamento do deputado Dilzon Melo.

Com a palavra o deputado Dilzon Melo.

O deputado Dilzon Melo – Pois não. Vou somente completar um raciocínio e concedo aparte ao deputado Lafayette de Andrada.

Queria pedir a compreensão da galeria para terminar o meu pronunciamento, que não tem nada de ofensivo a vocês, a ninguém, simplesmente é uma questão de honra que está em jogo. Gostaria de dizer ao meu amigo Rogério Correia e ao meu amigo Adelmo Carneiro Leão que digam ao candidato da oposição, Fernando Pimentel, que nunca o agredi e nunca falei mal dele em público.

Vocês talvez não estejam entendendo o motivo dessas agressões. Tudo isso é porque o meu partido passou na televisão, no horário político, simplesmente no aniversário do deputado federal Newton Cardoso em Contagem, uma imagem dele junto com Fernando Pimentel e este agradecendo ao Newton Cardoso, convidando-o para renovar Minas Gerais e levantando-lhe a mão.

Quero dizer a vocês que, se a minha mão estivesse sendo levantada por Aécio Neves, por Anastasia, por Pimenta da Veiga, por Alberto Pinto Coelho, eu me sentiria orgulhoso, honrado por ter a mão levantada por eles. Não sei por que o Sr. Newton Cardoso se ofendeu tanto. Não vi motivo para que ele se ofendesse, porque quem levantou a mão dele foi exatamente o candidato a governo da oposição, que não recebeu deste deputado nenhuma acusação, nenhuma palavra de desqualificação. Ao contrário, já estivemos juntos no passado, já fornecemos a ele um vice-prefeito. Então, não vi motivos para que ele pudesse jogar tanto ódio na tribuna da Câmara dos Deputados e colocar nos jornais. Certamente deve haver alguns motivos para transmitir tanta baboseira, tanta bobagem.

Nesse último jornal, de ontem, ele disse, inclusive, que sou sócio do Youssef. Não sei nem quem é Youssef. Isso é da cúpula alta, deputado Newton Cardoso, é de deputado federal para cima. Isso aqui não é da plebe rude não! Youssef mexe com milhões e milhões de dólares. Isso não é para baixo clero. É coisa lá para cima. Então, não sei que tipo de acusações que ele faz. Diz, inclusive, das passagens na Polícia Federal quando eu disse que lá estive por diversas vezes para tirar passaporte.

Então, meus amigos, é assim que nos sentimos, indignados, quando uma pessoa que atinge um certo nível usa e abusa da imunidade parlamentar para falar bobagem. Deveríamos usá-la para ajudar, para fazer alguma coisa, e não para ficar lançando farpas.

O deputado Lafayette de Andrada (em aparte) – Deputado Dilzon Melo, serei muito breve.

Quero dizer que tenho o máximo respeito pelo ex-governador Newton Cardoso, mas, nesse episódio lamentável, penso que ele, realmente, se exasperou e foi um pouco além quando trouxe alguns impropérios referindo-se a V. Exa.

Quero aqui dar o meu testemunho, e essa é a razão da minha fala, de que, quando cheguei aqui ao Parlamento, sempre tive não só apreço, mas dos meus companheiros mais antigos que conheci - e hoje conheço-o muito bem - sempre tive o máximo respeito. Sempre tivemos, todos nós, deputados, de V. Exa. uma palavra serena, conciliadora, experiente e nunca - e é isso que quero dizer - nenhum de nós deputados presenciou partir de V. Exa. nenhum tipo de desacato, de ação rude com quem quer que fosse.

Então, quero apenas lamentar esse episódio e dizer que não podemos, realmente, concordar com as palavras do ex-governador Newton Cardoso no que se refere a V. Exa. Porque temos por V. Exa. o maior apreço e o maior senso de dignidade por todos os deputados aqui desta Casa.

Era esse o aparte que queria fazer, um registro importante em nome da verdade. Muito obrigado, deputado Dilzon Melo.

O deputado Dilzon Melo – Obrigado, deputado Lafayette de Andrada.

A deputada Luzia Ferreira (em aparte)* – Trago a V. Exa. a minha solidariedade, pois foi atacado, como V. Exa. mesmo disse, com mentiras e inverdades.

Acho que a disputa política tem de ser feita por meio das ideias. É isso que qualifica o processo eleitoral, que é o espaço de decidir projetos, propostas para que a população possa fazer uma escolha consciente. Ao atacar V. Exa. com tanta veemência, mostra, primeiramente, que está com medo da aliança dele com, no caso, o PT. O PMDB é aliado do PT nacionalmente e aqui também já decidiram que são aliados. Quer dizer, estarrece-me saber que mostrar os dois juntos causa tanto estranheza, pois, na campanha, vão estar por esta Minas toda, juntinhos, de braços e mãos dadas, percorrendo o Estado.

Ele é uma figura importante dentro do PMDB. Foi governador e não ficará em um canto da campanha, vai estar defendendo. É estranho ter de partir para agressão.

O contrário talvez pudesse ser justificado se os petistas se levantassem contra essa aliança. Tradicionalmente o PT estava contra Newton Cardoso e contra sua política como governador. O contrário poderíamos entender, pois haveria uma lógica: os petistas renegarem essa presença, as mãos dadas.

Quero me solidarizar com V. Exa. Isso mostra um comportamento baixo na disputa política. Talvez por isso tanta gente rejeite Newton Cardoso. Vou aproveitar para dizer a V. Exa. que os fortes perdoam e os fracos são vingativos. Ele mostrou esse lado. Obrigado.

O deputado Dilzon Melo – Obrigado, deputada Luzia Ferreira.

O deputado Bonifácio Mourão (em aparte) – Deputado Dilzon Melo, não tenho procuração para defendê-lo, mas tenho a procuração do respeito que se deve ao próximo para o que vou dizer neste instante. Começo me lembrando do desembargador Dario Lins quando ele afirmou que denúncia sem prova é sino sem badalo. O que se faz com V. Exa. se aplica perfeitamente ao princípio do desembargador Dario Lins.

Ao que me lembro e vi pela televisão, na publicidade do PTB, tão bem presidido por V. Exa., o ex-governador Newton Cardoso recebeu o candidato a governador Pimentel em sua residência para comemorar seu aniversário. O PTB perguntava se esse era o entendimento que o povo mineiro estava querendo. Não vi nisso nenhuma ofensa para causar tamanha reação. Aliás, tamanhas acusações a V. Exa. Realmente não vi isso. V. Exa. fez uma pergunta ao povo de Minas Gerais. Se o ex-governador entendeu que era uma ofensa, penso que ele se precipitou em acusar V. Exa. da forma como o acusou. Pelo que conheço de V. Exa. - o conheço há pelo menos 15 anos –, penso que essas acusações foram totalmente precipitadas. Por isso ocupo essa tribuna para, de público, dizer que denúncia sem prova é sino sem badalo. V. Exa. merece todo o respeito da nossa parte.

O deputado Dilzon Melo – Muito obrigado, deputado Bonifácio Mourão.

O deputado Braulio Braz (em aparte)* – Boa tarde, nobre deputado Dilzon Melo, companheiros da Assembleia. Caro deputado Dilzon Melo, permito-me falar em nome da bancada do PTB aqui da Assembleia Legislativa para apoia-lo. Quero dizer que V. Exa. tem um comportamento ilibado. Eu o conheço há oito anos. Estive com V. Exa. na Assembleia trabalhando em prol do interesse dos mineiros. Só assisti aqui a comportamento exemplar de sua parte. Ratifico suas palavras ao dizer que aqui na Assembleia você é respeitado, como tem também o respeito dos mineiros que o apoiaram em diversas oportunidades quando se candidatou. Quando colocou seu nome em apreciação popular, obteve êxito e continua sendo um político de respeito. Portanto, penso que não temos nada a acrescentar, a não ser dizer que V. Exa. está lavando a alma ao responder às agressões verbais do ex-governador Newton Cardoso. Acredito que V. Exa. esteja fazendo um bom papel.

O deputado Dilzon Melo – Obrigado, deputado Braulio Braz.

O deputado Cabo Júlio (em aparte)* – Deputado Dilzon Melo, V. Exa. sabe que tenho o maior respeito pela sua história, por sua consideração e pelo seu trabalho. Posso fazê-lo por ser da executiva. E em nome da executiva do PMDB, quero dizer que, da nossa parte – digo também ao nosso presidente Dinis Pinheiro -, queremos uma campanha de alto nível nessa eleição. Queremos que o debate do Estado nessa eleição seja um debate de ideias, e não um debate de pessoas. O povo de Minas Gerais vai escolher quem vai governar Minas, vai escolher quem serão seus representantes como deputados e senadores.

Esta é nossa ideia. Da parte do PMDB, não temos qualquer intenção de achincalhar pessoas porque entendemos que isso não é bom para a democracia, não é bom para ninguém e esconde a real necessidade da população de conhecer os projetos de cada candidato e, assim, fazer sua escolha. Não quero entrar no mérito da discussão. Quero dizer apenas, falando como representante do PMDB nesta Casa, que nossa vontade é fazer uma disputa leal, de alto nível e de ideias, para que o povo possa escolher.

Digo ainda que tenho o maior respeito pela história de V. Exa. nesta Casa e como um bom amigo. Vamos ao debate de ideias, não ao debate de pessoas. Receba os nossos respeitos.

O deputado Dilzon Melo – Obrigado, deputado Cabo Júlio.

O deputado Carlos Pimenta (em aparte)* - Também gostaria de trazer o nosso abraço ao deputado Dilzon Melo neste momento. Acho que não é nem necessária a nossa solidariedade porque seu passado e sua história de vida, por si, seus atos e seus muitos anos de mandato nesta Casa falam tudo. Quem quer que conheça Dilzon Melo sabe quem ele é. Em Varginha, por exemplo, o pessoal reconhece o trabalho de V. Exa. como prefeito e parlamentar.

Concordo com o pronunciamento do deputado Cabo Júlio: a política não pode perder o fio da meada. Estamos vivendo um momento de exceção em nosso país, e as pessoas de bem, parlamentares ou não – professores, médicos, pedreiros, pessoas de qualquer profissão -, têm de ser respeitadas. Não podem achincalhar a vida das pessoas como se fez agora. V. Exa. tem toda moral para estar aí e falar que é um homem de bem. Receba o meu abraço pessoal e o abraço do meu partido. Tenho certeza de que, no futuro, o andar da carruagem vai dizer quem é Dilzon Melo e ressaltar a sua importância para este parlamento e para Minas Gerais. Obrigado.

O deputado Dilzon Melo – Obrigado, deputado Carlos Pimenta.

O deputado Dalmo Ribeiro Silva (em aparte) – Ouvi com muita atenção, caríssimo deputado Dilzon Melo, seu desabafo dessa tribuna. Foi o desabafo de uma longa trajetória, de vários mandatos também como prefeito municipal. Com certeza, por sua trajetória, V. Exa. tem no Parlamento mineiro o respeito e a admiração de seus pares.

Quero me unir a V. Exa., à sua família, a seus eleitores e ao nosso Sul de Minas, onde tenho a honra de dividir votos com V. Exa., mas onde, durante uma longa caminhada de muitos mandatos, nunca tivemos qualquer divergência na captação de votos. Pelo contrário, sempre trabalhamos com altivez, respeito e, principalmente, transparência. Então, quero me unir a V. Exa. dizendo que pode contar com a solidariedade e o apreço que este deputado tem por V. Exa. e por sua conduta exemplar na vida pública.

O deputado Dilzon Melo – Muito obrigado, deputado Dalmo Ribeiro Silva.

Finalizando minhas palavras, quero dizer que tenho grande respeito pela bancada do PT nesta Casa. São todos meus amigos, pessoas que lutam ideologicamente e que, é claro, travam suas discussões, mas em alto e bom nível. O mesmo digo em relação aos companheiros do PMDB, contra os quais nunca dirigi uma palavra de desabono, o que não vou fazer agora. Quero que todos sejam testemunhas de que não lancei daqui sequer uma ofensa ao Sr. Newton Cardoso. Nem pretendo fazê-lo, para não me igualar a ele. Quero ser diferente. Quero trabalhar em alto nível; não quero baixar o nível.

O jornal que tenho em mão refere-se ao vídeo de Pimentel e Newton. Aliás, acho que, se alguém tivesse de se pronunciar daqui, seria a bancada do PT. Talvez eles é que devessem estar ofendidos.

Mas o WhatsApp que está aqui, do vídeo de Pimentel com Newton, bombou por aí, e não foi o PTB. Está bombando por aí porque certamente o Sr. Newton Cardoso tem uma história. O passado nos diz, e os nossos pais nos diziam sempre: diz-me com quem andas e eu te direi quem és. Isso decidirá o futuro de cada um de nós, decidirá o futuro da eleição, e colocará aquele que o mineiro achar melhor para Minas Gerais.

Então, Sr. Governador, quero dizer que Deus me poupou do medo. Não tenho medo. Está desafiado a apresentar todas as provas que o senhor disse ter. Mas apresente, não faça como já fez no passado, cheio de mentiras. Apresente as provas. Não voltarei a esta tribuna para combater as baboseiras que são ditas. Hoje o faço em nome da minha família, do meu filho, dos meus amigos e dos meus eleitores, para que fique bem claro que o meu livro está aberto e escrito para que todos possam ler.

O deputado Rômulo Veneroso (em aparte)* – Serei breve. Obrigado pelo aparte.

Deputado Dilzon Melo, nós, deputados que conhecemos sua vida pública, sua retidão, sua sinceridade, seu coleguismo, não temos dúvida nenhuma. Foi muito oportuno o uso da tribuna neste momento, porque tenho certeza de que, neste estado, V. Exa. é uma pessoa querida e tem milhares de eleitores e apoiadores que, neste momento, estão vibrando com toda essa justificativa e sua categoria de ter colocado dessa forma. Uma forma honrosa e desafiadora. Parabéns, deputado Dilzon Melo.

O deputado Dilzon Melo – A todos que me ouviram e à imprensa que possam registrar, porque não pretendo sequer fazer depoimento nesse sentido, nem dar entrevista, pois não quero polemizar tal fato. Isso é de uma pequenez muito grande, e nem deveria constar nos anais desta Casa, muito menos nos anais da política, que todos nós, nesta Assembleia, trabalhamos para que seja melhor, com respeito, com debate de ideias, valorizando pessoas, para que o povo de Minas seja valorizado. Muito obrigado a todos.

* - Sem revisão do orador.

O presidente – Deputado Dilzon Melo, um abraço superespecial. V. Exa. pode estar certo de que a senhora sua esposa, os seus filhos, aliás, todos os mineiros e as mineiras, e, de forma especial, esta Assembleia têm enorme orgulho da sua história. História de vida reta, limpa, decente, sempre voltada para o bem-estar de todos os mineiros e mineiras.



Compartilhe:
Twitter Facebook
Email Versão para impressão

Perguntas Frequentes

  • Que pronunciamentos estão disponíveis no portal?

    Estão disponíveis os pronunciamentos de deputados feitos nas reuniões de Plenário e em eventos institucionais como seminários legislativos, fóruns técnicos e ciclos de debates. Podem-se pesquisar declarações de voto; discursos e apartes; questões de ordem; e decisões do presidente da Assembleia sobre os trabalhos legislativos.
    Também estão disponíveis pronunciamentos feitos por palestrantes, debatedores e demais participantes nos eventos citados.
    O resultado de pesquisa exibe pronunciamentos integrais a partir de 2001. Dados referenciais estão disponíveis desde 1988.

  • Quando os pronunciamentos estão disponíveis para consulta no portal?

    Os pronunciamentos estão disponíveis para consulta no dia seguinte ao de sua publicação no diário oficial do Estado.

  • Os pronunciamentos são editados antes de serem liberados?

    Os pronunciamentos não são editados. O que é feito, ao final das reuniões do Plenário, é a revisão e a montagem das notas taquigráficas dos discursos.

Veja também