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Tampieri: "Há muito o que ser feito: a participação social nos processos de tomada de decisão tem de ser incentivada cada vez mais"
Tampieri: "Há muito o que ser feito: a participação social nos processos de tomada de decisão tem de ser incentivada cada vez mais" - Foto: Alair Vieira
29/04/2013 08h00
Mobilidade urbana

Entrevista - Ciclista enfrenta motorista sem educação

Esse é o maior problema para quem anda de bicicleta, na opinião de Guilherme Tampieri, da BH em Ciclo.

ANA JUNQUEIRA

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Onde não há educação e bom senso dos motoristas, não há proteção para os ciclistas. O posicionamento é do voluntário da Associação de Ciclistas Urbanos de Belo Horizonte (BH em Ciclo) e do Movimento Nossa BH, Guilherme Lara Camargos Tampieri. O jovem de 24 anos utiliza desde os 17 a bicicleta como principal modal de transporte. Guilherme também anda a pé e usa o transporte coletivo para uma porcentagem menor de deslocamentos. Mas, se ele pudesse quantificar, diria que 90% dos deslocamentos são feitos de bicicleta.

Participa também do Grupo de Trabalho Pedala BH, criado para integrar a BHTrans e os ciclistas a fim de que avaliem juntos onde há necessidade de ser instalada ciclovia e qual a melhor forma de instalá-la. Tudo isso porque acredita que o uso da bicicleta, fomentado por políticas públicas e outros incentivos, diminuiria muitos dos problemas relacionados à mobilidade urbana. O assunto é tratado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nas reuniões preparatórias para o Fórum Técnico Mobilidade Urbana - Construindo Cidades Inteligentes, que está previsto para se realizar no fim deste semestre.

Quais as dificuldades para esse modal em Belo Horizonte?
A principal dificuldade para a massificação do uso da bicicleta em Belo Horizonte é a falta de educação dos motoristas, sejam eles profissionais ou não. Onde não há educação e bom senso dos motoristas, não há proteção para os ciclistas. Além disso, para que as pessoas utilizem outros modais de transporte, como a bicicleta, se faz necessário que existam mecanismos institucionalizados e legitimados pelos governos de desestímulo ao uso do automóvel particular. Concomitantemente, é preciso que haja alternativas atrativas à locomoção automotora individual, como, por exemplo, calçadas acessíveis e bem estruturadas, sinais menos demorados para pedestres e ciclistas, ciclovias onde há necessidade, de fato, de tê-las, além de transportes coletivos variados (BRT, ônibus, VLT, metrô, monotrilho etc.). Tudo isso de qualidade e com preço acessível. Além de se considerar que deve haver integração  com os demais meios de transporte público ou não-motores (bicicleta e a pé).

O que dizer das ciclovias existentes em BH?
Existe um programa cicloviário em Belo Horizonte, o Pedala BH, que contempla uma rede de 380 km de ciclovias na cidade a ser feita até 2020. Há problemas em relação à execução da iniciativa, que no começo não contou com a participação de cilistas, os maiores interessados. Em outubro de 2012, a BH em Ciclo criou um relatório foto-ilustrado mostrando as condições de todas as ciclovias existentes até o início do segundo semestre do ano passado. Esse relatório foi objeto de duas audiências públicas na Câmara Municipal de Belo Horizonte e ferramenta dos ciclistas para pressionar o poder público, representado, aqui, pela BHTrans, para dialogar conosco.

O que apontou esse relatório?
Todas as ciclovias implantadas até então não apenas foram feitas sem levar em consideração a opinião dos ciclistas, mas também sem considerar padrões mínimos de segurança estabelecidos. Concomitantemente à produção e divulgação desse relatório, a BH em Ciclo participou de várias reuniões, seminários e palestras, nos quais a BHTrans estava presente. A associação questionou as ações da prefeitura com relação ao uso da bicicleta em BH. Dessa maneira, criamos o grupo de trabalho Pedala BH, que é formado pela BH em Ciclo, Mountain Bike BH, BHTrans e demais cidadãos interessados na temática. Esse grupo estava tendo reuniões constantes, possibilitando o diálogo entre BHTrans e sociedade civil. Chegou-se à conclusão de que nenhuma ciclovia seria feita em Belo Horizonte sem consultar os ciclistas. E ainda vale frisar que nossa principal cobrança são ações educativas para a mobilidade urbana.

O que dizer para as pessoas que veem dificuldades na utilização desse modal em uma cidade de relevo tão acidentado como BH?
No que diz respeito ao uso da bicicleta em Belo Horizonte, o relevo e o clima são duas variáveis que a maioria das pessoas utiliza para negar qualquer mudança comportamental que exija um mínimo de esforço individual. Há algumas décadas as bicicletas possuem marchas e, atualmente, a quantidade de marchas existentes na maioria dos modelos possibilita às pessoas subirem morros com bastante facilidade. Claro, se faz necessário acostumar o corpo a ser o seu meio de locomoção e propulsão, mas isso é resolvido com a prática. O maior entrave é, conforme já dito, a falta de educação dos motoristas, seguido da falta de estruturação da cidade para receber os ciclistas e da ausência de uma política pública que contemple a circulação das pessoas e que iniba ou desestimule o privilégio de ir e vir em veículos automotores individuais.

Como vê o futuro da mobilidade urbana em Belo Horizonte e no Brasil?
Acredito que para que se pense em uma melhora em médio e longo prazos, a cidade precisará investir na reestruturação e requalificação do espaço urbano, aumentar as calçadas, tornando-as acessíveis a todas as pessoas, diminuir o espaço de circulação e estacionamento de veículos automotores individuais, ampliar a oferta do transporte coletivo. Isso sem falar no investimento em campanhas educativas para mudanças de comportamento e paradigmas sociais. Há muito o que ser feito: a participação social nos processos de tomada de decisão tem de ser incentivada cada vez mais.

Nesse sentido, o que mais pode ser feito?
Atualmente Belo Horizonte não conta com tais políticas, e o investimento em transporte automotor individual ainda é maior do que em transporte público e não-motor, conforme pode ser visto na execução orçamentária de 2012. A minha esperança é que, com a revisão do Plano de Mobilidade Urbana da cidade (o PlanMob BH) à luz da Política Nacional de Mobilidade Urbana, e com a revisão dos planos diretores, os gestores públicos – juntamente com a sociedade – cheguem a decisões que levem a cidade e a circulação das pessoas em consideração.

A próxima matéria da série sobre a mobilidade urbana será publicada na quinta-feira (2/5).


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