Cidades inteligentes fazem uso pleno das capacidades tecnológicas para ampliar a qualidade de vida da sua população

Cidades inteligentes usam tecnologia a favor da mobilidade

Especialistas apontam que só essas cidades serão capazes de lidar com os congestionamentos cada vez mais frequentes.

Por Ana Flávia Ferreira Junqueira
27/03/2013 - 10:50 - Atualizado em 30/01/2014 - 14:16

A tecnologia pode ser uma ferramenta que traz melhorias para a mobilidade urbana. O conceito que abarca essa ideia é o de cidades inteligentes. Manuel Alsaverri Ferrer, consultor estratégico da Indra, companhia global de tecnologia com sede da Espanha, explica que essas cidades fazem uso pleno das capacidades tecnológicas para ampliar a qualidade de vida da sua população. “Esses locais requerem uma mobilidade inteligente, que segue um modelo interconectado, dinâmico, em rede, no qual as informações circulam”.

Ferrer faz a seguinte analogia: “Tenho um telefone celular e não o uso o dia inteiro, mas apenas nos momentos adequados. Com o carro deve ser a mesma coisa”. Na mesma linha, o secretário-executivo do Ministério das Cidades, Alexandre Cordeiro, ressalta que é importante saber como usar a tecnologia a favor da mobilidade dos cidadãos.

Os temas das cidades inteligentes e do uso de tecnologias foram abordados no evento Mobilidade Urbana – Construindo Cidades Inteligentes, realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que também produziu uma série de matérias sobre o assunto.

"Cidade inteligente é a que otimiza a capacidade da infraestrutura já existente. Com o uso inteligente de tecnologias, o mesmo número de ruas suporta muito mais automóveis, ônibus ou VLTs, além de veículos limpos, como as bicicletas e outras opções leves de transporte", afirma economista e gerente de Novas Tecnologias da IBM, Cezar Taurion, em sua série Cidades Inteligentes.

Ele acrescenta que, muitas vezes, os investimentos em tecnologia tendem a ser bem menores do que os investimentos em obras físicas. Taurion explica que a tecnologia pode ser usada a favor da mobilidade urbana, com a construção de sistemas de controle que previnam congestionamentos ou que disciplinem o acesso a regiões centrais, por meio de sistemas automáticos de pedágios urbanos, por exemplo.

banner de acesso à página do evento Mobilidade Urbana

Integração - Já o engenheiro e especialista em soluções para mobilidade urbana, André Luis Paraense, aponta, no artigo "A Harmonia Triádica das Soluções de Mobilidade Urbana para Cidades Inteligentes", que somente essas cidades serão capazes de lidar com os congestionamentos cada vez mais frequentes e de promover um estilo de vida que não seja o dependente dos automóveis. “Uma cidade onde os diversos modais de transporte público se encontrarão de forma transparente, segura e confortável para as pessoas, que não mais trocarão viagens curtas a pé e de bicicleta por locomoções de carro”, afirma.

Segundo ele, nessas cidades, são consideradas a instrumentação, na qual o funcionamento dos sistemas é captado e transformado em dados; a interconexão, quando diferentes sistemas conversam, entregando dados uns ao outros e transformando-os em informação; e inteligência, que é a habilidade de utilizar a informação, modelando padrões e comportamentos que possibilitem ações informadas.

Tecnologia - A secretária de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Sônia da Costa, ressalta que soluções tecnológicas podem ser desenvolvidas para impactar positivamente aspectos como emissão de poluentes, sistemas de gestão da logística, eficiência energética de veículos de transporte coletivo, novos materiais, sistemas de propulsão de veículos baseados em energia solar fotovoltaica ou outra fonte de origem renovável.

“Em teoria, pode-se utilizar o gás metano gerado em um aterro sanitário para movimentar um conjunto de veículos elétricos de transporte coletivo que cubram uma boa parte do território de determinado município. As soluções tecnológicas para permitir que um modelo como esse se torne realidade já estão relativamente bem avançadas, porém, há outros fatores determinantes, como a viabilidade econômica”, explica.

Sônia destaca, ainda, o papel dessas novas tecnologias. “As melhorias em mobilidade devem considerar o desenvolvimento de novas tecnologias e o desenvolvimento sustentável. Há linhas de pesquisa e inovação para dar esse apoio. O Programa de Tecnologias para Cidades Sustentáveis, que conta com recursos do ministério, possui uma ação orçamentária específica para apoio a projetos de mobilidade urbana, construções sustentáveis, saneamento ambiental e sistemas sustentáveis de energia”. Ela salienta que a aplicação dos conhecimentos desenvolvidos nesses projetos depende de parcerias com o setor produtivo e com órgãos finalísticos da administração federal para que ganhem escala e, assim, possam beneficiar um número maior de pessoas.