Por: Jacqueline Rutkowski
| Instituto Sustentar - de Estudos e Pesquisas em Sustentabilidade | Belo Horizonte - MG
As mudanças no mundo do trabalho e de negócios nos últimos anos tem demonstrado a dificuldade de concretização da promessa de pleno emprego nas sociedades modernas. Além disso, ou talvez até mesmo como uma das consequências deste fato, o advento do capitalismo e suas formas de produção não foram capazes de exterminar iniciativas populares de geração de renda, tais como a prestação de serviços e a produção de mercadorias em pequena escala, com processos artesanais e semi-industriais de produção, e outras iniciativas da economia popular. Milhares de oportunidades de trabalho são geradas desta forma e milhares de famílias vivem hoje, no Brasil e em diversos países do mundo a partir da renda gerada em empreendimentos desta economia, conhecida como "economia do trabalho", conforme a identifica o pesquisador argentino Coraggio.Por isso, tal economia precisa ser reconhecida pelos poderes públicos, e, principalmente ser apoiada por ele, com a criação de estruturas e políticas de assistência técnica, de inovação tecnológica e de acesso ao microcrédito apropriadas às especificidades e necessidades desta outra economia. O primeiro passo é reconhecer sua importância como estratégia de erradicação da miséria, o próximo, e mais importante é oferecer apoio, nos mesmos moldes a que se oferece hoje apoio aos empreendimentos da economia tradicional.