Comunidade quer acesso a sítios arqueológicos
Localizado em Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho, Grande Abrigo reúne arte rupestre e cemitério indígena.
Distrito de Santana do Riacho (Região Central), Lapinha da Serra reúne sítios arqueológicos com pinturas feitas há mais de 4 mil anos, com pigmentos minerais e orgânicos. O problema é que nem mesmo os moradores locais conseguem se aproximar desse patrimônio.
Essa foi a principal constatação da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) durante visita técnica realizada nesta sexta-feira (17/4/26). De acordo com as denúncias, a Pequena Central Hidrelétrica Coronel Américo Teixeira estaria restringindo o acesso à área.
O Sítio Grande Abrigo é pesquisado desde 1976 e tem cadastro no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Além da arte rupestre e vestígios de ocupação pré-histórica, como ossos, pedras, tecidos e objetos de barro. Um dos pontos de interesse do local é o cemitério indígena com mais de 20 sepultamentos catalogados.
Para oportunizar o acesso ao público, é necessário encaminhar um processo de socialização a partir da autorização do órgão.
Assim, poderiam ser implementadas melhorias, como instalação de corredores e placas informativas. Responsável por solicitar a visita, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) pretende realizar audiência para debater essa viabilidade.
Ela lembrou que uma das condicionantes para o funcionamento da usina é o fomento do ecoturismo na região. Portanto, outro encaminhamento é promover uma reunião a fim de discutir o cumprimento das cláusulas do contrato por parte da empresa.
“Até quando a usina consegue proteger? Precisamos de diálogo para agregar valores”, apontou o condutor ambiental Vanderlei Sabino. Segundo ele, é importante incentivar o turismo ecológico para permitir que as pessoas conheçam e ajudem na preservação do local. “Quando você leva o conhecimento, você contribui para isso”, avaliou.
Beatriz Cerqueira ressaltou que o Iphan e a comunidade estão de parabéns por se organizarem a fim de garantir a proteção dos sítios. “Isso aqui é grandioso, é um patrimônio da humanidade. Vamos seguir na defesa do que a comunidade reivindica”, garantiu.