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No final do século XIX, a escravidão retirava da maioria da sociedade brasileira os mais elementares direitos. As mulheres, mais da metade da população, só puderam votar em 1933. E foi em nossa geração, pela Constituição de 1988, que se permitiu o voto aos analfabetos e aos jovens de 16 anos. |
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O abandono do meio rural por grande parte da população inchou as metrópoles de gente, aumentou os problemas e diminuiu o tempo das pessoas. De tão ocupado em lutar pela sobrevivência, o homem parece ter se esquecido de que problemas complexos devem ser discutidos por muita gente, para ficar menos difícil resolvê-los. Afinal, o dinheiro público é limitado, e a escolha de onde gastá-lo é política.
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"O pior analfabeto é
o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos
políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto
político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor
abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais."
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Ricas possibilidades se abrem a cada um de nós à medida que compreendemos a dimensão coletiva da vida. Foi isso que inspirou os versos de João Cabral de Melo Neto: |
"Um galo sozinho não
tece uma manhã: |
ele precisará sempre de outros galos. |
De um que apanhe esse grito que ele deu |
e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito que um galo |
antes deu e o lance a outro; e de outros galos |
que muitos com muitos outros galos se cruzem |
os fios de sol de seus gritos de galo, |
para que a manhã, desde uma teia tênue, |
se vá tecendo, entre todos os galos." |